... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Nem na pobreza, nem na tristeza... Somente na riqueza e na alegria.

"Há sempre algo de ausente que me atormenta". Camille Claudel



São quinze minutos para às duas horas da tarde, mal chega a hora da consulta e Roberto está a minha espera ansioso, com um olhar angustiado de olhos vermelhos e inchados, provavelmente de chorar. Cumprimento-o e sento-me à poltrona, nem há tempo de abrir o bloco para anotações vem a enxurrada de reclamações e acusações contra a mulher que o abandonara depois de quinze anos de casamento.

Roberto era um empresário bem sucedido que não somente amargava uma falência econômica, mas também a conjugal. Aos cinquenta anos de idade, com dois filhos, se encontrava falido e abandonado por quem menos esperava, Carla, a mulher que amava e quem construíra uma família. Nestes moldes, eu era consultada para preparar sua defesa no divórcio. 

Uma empatia me abateu e me senti no lugar de Roberto, apesar ter passado por momento semelhante num passado quase que distante, mas ainda presente em sentimentos. Pois, quando estava casada vivi a mesma situação da falência do meu marido e amargamos momentos difíceis, mas jamais o abandonei. No entanto, Carla não suportou as dificuldades prementes e seu afeto esvaiu.

Mesmo assim, Roberto ainda a amava e estava disposto a aceitá-la de volta. Muito embora, ela estava decidida quanto ao divórcio e provavelmente, não retornaria por conta de um possível envolvimento extraconjugal. 

Imaginei o fracasso que se abatera à Roberto, com a perda de sua dignidade e da família repartida pela limitação de Carla em não suportar àquela situação. Logo, me lembrei de outro caso semelhante, em que a mulher havia abandonado o marido por conta do alcoolismo. Neste caso, a mulher mantinha casos extraconjugais, inclusive com homens casados e não hesitou em terminar seu casamento de anos, com três filhos, para se livrar dos problemas e da enfermidade do marido que se desencadeou durante a descoberta da sua infidelidade. 

Encerrada a consulta, me abateu uma tristeza por conta das minhas lembranças, dos anos que compartilhei todas as crises do meu relacionamento, do meu atraso profissional por me dedicar ao casamento e principalmente, da minha lealdade não reconhecida. Já que, quando nos estabilizamos dos problemas financeiros fui abandonada por uma amante bem estabelecida economicamente.

Aturdida peguei um táxi e não consegui me conter das lágrimas jorradas sem controle, quando o taxista aparentando uns trinta anos indagou se eu estava bem ou precisava de ajuda. Com a voz embargada respondi com dificuldade que estava tudo bem sim, e era apenas 'dor de cotovelo'. Mais que depressa veio o comentário empírico: - Que loucura... !

Desci perto de casa e caminhei com a minha dor que segue sem passar, como um fantasma a me assombrar quando me deparo com situações em que a ingratidão e a deslealdade se tornaram lugar comum, destruindo o afeto.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Quando a dor é insuportável o sofrimento pede libertação...


Há memórias que precisam ser esquecidas porque senão a mente adoece a tal pouco de enlouquecer. Enlouquecendo porque o sofrimento é tão agudo a ponto de não suportar mais a dor pungente. Aí, posso me jogar do nono andar para me libertar. Há também, memórias que não são apagadas e ficam acumuladas no interior enlouquecendo as células a se reproduzirem desordenadamente a procura de libertação. Não enlouqueci, mas o abismo interno se abre em mim. Assim, são as dores incuráveis que se perdem pelo sofrimento infinito. 

Não há felicidade que dure se alimentando do mal...

"A felicidade é só estar em paz consigo mesmo, olharmos para nós e recordar que não fizemos muito mal aos outros." José Saramago



Era inconcebível àquilo que me fizeram. Sem direito à defesa, tramaram pelas minhas costas o golpe certeiro. Não satisfeitos, em me ferir gravemente, ainda se justificaram através da covardia caluniosa e difamatória. 

Enquanto, eu absorta, diante de tanta crueldade, ainda indagava,  por quê ? O que eu teria feito para ser punida desse jeito ? 

À ela, absolutamente nada. Nem a conhecia. Mas, não importava. Ela era cúmplice dele. E, ele era a pessoa que mais me conhecia e que compartilhava da minha vida. Então, por que ele me odiava tanto ?

Talvez, porque sua essência sempre foi usar e abusar dos meus sentimentos até sugar à última gota. Daí, quando se viu entediado sem mais nada para me retirar foi buscar em outras fontes energia para se bastar. 

Tamanha é sua insatisfação por não conseguir vínculos que se vingou de mim por não saber amar. Provavelmente, segue em seu vazio que jamais será preenchido.

Minhas perguntas seguiram sem respostas. Nada justificava tamanha crueldade. As feridas ainda sangram, mas sobrevivi por teimosia. Enquanto eles, se alimentam das mentiras inventadas. Mas, há uma nova questão: - Como serão felizes depois de todo mal que me fizeram ?

Certamente, a felicidade jamais poderá acontecer se há fantasmas à lhes assombrar. Pois, o mal sempre cobra seus débitos.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Sozinha, apenas acompanhada da Solidão...

Fui sozinha ao médico sem você. 
Saí sozinha, sem você a me esperar. 
Caminhei por horas sozinha, sem você para me guiar.
Chorei sozinha, com meu medo sem você.



Estou sozinha, sem saber se vai doer. 
Ficarei sozinha, sem certeza de viver. 
Sou sozinha, sem você.
Pois, sozinha tenho apenas solidão.

domingo, 5 de abril de 2015

Angústia e Liberdade...

“... é na angústia que o homem toma consciência de sua liberdade, ou, se se prefere, a angústia é o modo de ser da liberdade como consciência de ser; é na angústia que a liberdade está em ser colocando-se a si mesma em questão.” Jean-Paul Sartre em O Ser e o Nada




Se tenho na angústia a liberdade. Talvez, seja o temor de estar livre das amarras que me impedem de seguir adiante, para além dos limites. Basta dar impulso para se lançar ao inesperado e ter a coragem romper com a prisão que me fixa inerte. 

A implacável angústia de não ter mais a quem esperar ao anoitecer, sem o precisar das horas na expectativa da chegada é que me assusta. O medo da solidão, que nada mais é bastar-se de mim mesma. Mas, ao mesmo tempo a falta da ansiedade sofrida pelos atrasos, ou, as falsas desculpas para ausência da chegada é que me liberta.

O vazio saudoso não mais preenchido pela chegada de alguém a compartilhar a vida me angustia. Porém, a brisa morna ao caminhar vagarosamente sem destino e prazo marcado para espera me toma de uma regojizante sensação de liberdade. 

Não ter mais a quem dar satisfações de todos os meus passos, desejos e pensamentos, apesar de angustiante me liberta. Pois, agora posso ser autora das minhas escolhas, sem os compromissos emocionais que me tolhiam em transcender. 

Tantas companhias, como a literatura e arte, já me bastam. Mesmo que a solidão me angustie haverá a liberdade das escolhas de querer estar com alguém contingente ou comigo mesma.  

Levaram meu Outono... Deixaram meu Abril vazio.

Do meu florido jardim que emanava beleza, perfumando os ares, atraindo borboletas e colibris, restou apenas a visita de mariposas em busca dos cadáveres florais.


Março fechava seu ciclo iniciando uma nova estação, meu pequeno jardim, embora intensamente florido começava a despontar a tristeza, como se solidarizasse com minha solidão. 

A chuva batendo forte na varanda ia lavando brotos e botões impedidos de florescer, juntamente com minhas lembranças de outros outonos. Em que, a estação se mantinha forte sem desfolhar-se.

Gotas grossas batucavam agudamente em meu peito àquele abril. Porém, nem todos os outonos foram tão sofridos como os de agora.

Meus outonos de outrora eram alegres e sempre floresciam com a chegada de abris em brindes esfuziantes. Havia o amor compartilhado, mesmo que às vezes enciumado da quantidade de abraços e beijos distribuídos com o apagar das velas que se somavam à cada ano.

Agora, eu me misturava em prantos com a chuva do meu outono roubado que levaram meus momentos. Restando então, a melancolia latente de alguém de vivia meus sonhos. 

Meu abril não resplandecia mais, as flores do meu jardim murchavam sem vida e eu já não rejuvenescia mais. Apenas, amargava o envelhecimento a cada outono.

Parecia mentira, mas meus outonos desde então são floridos para quem me tirou quase tudo deixando somente o meu abril em frangalhos.

terça-feira, 3 de março de 2015

O hiato de afeto...

"A voz empostada ao meu pedido de ajuda, fez-me sentir mais ainda desamparada. Todas solicitações são adiadas ou disfarçadas em negativas, não há mais receptividade em meus apelos, nem mesmo empatia. Sou uma estranha que incomoda. Onde foi parar o afeto que outrora me alimentava ?" 


Os dias passam... Mas, já são anos. Estou estagnada, sem forças ou energia. A luz do dia me cobra atitudes, das quais me torturam. Somente a escuridão da noite me acalanta, pois a cidade dorme e sou esquecida. 

O esquecimento é a minha imanência, donde agonizo em meu desamparo. A solidão me compraz em lembranças remotas de um tempo longínquo, aonde me furtam a vida. 

Tempo e espaço se confundem entre prantos e desassossegos batucando impiedosamente em meu exílio emocional. Sem que algo possa cessar o turbilhão de pensamentos desconexos a me enlouquecer.

A minha dor é solitária, mas por vezes teima em pedir socorro. Se não for entendida, entedia quem ignora o que seja este sofrimento que arde no âmago sem trégua.

Não há saída do abismo, cujo aprisionamento é infinito... Eu não morri, mas estou morta.