“As pessoas que estão no fundo do abismo imediatamente tomam algum
método de ascensão e, trocam. Nós não consertamos mais coisas e nós não
consertamos mais relações humanas, nós trocamos. E ao trocar sapatos,
computadores e pessoas que amamos por outras pessoas, vamos substituindo a dor
do desgaste pela vaidade da novidade, ao trocar alguém creio imediatamente eu
me torno alguém mais interessante e não percebo que aquele espelho continua
sendo o drama da minha vaidade. O que eu não tolero na pessoa anterior é que
ela me mostrou o quanto eu estou decaindo, envelhecendo ou sou desinteressante
e, na nova pessoa eu exploro o qto eu quero ser interessante, instigante e
assim por diante...” Leandro Karnal
... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.
São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...
Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
domingo, 2 de agosto de 2015
A chave da prisão emocional...
"Cada pessoa é um mundo. Cada pessoa tem sua própria chave e a dos outros nada resolve, só se olha para o mundo alheio por distração, por interesse, por qualquer outro sentimento que sobre nada e que nos é vital, o 'mal de muitos' é consolo, mas não é solução." (Clarice Lispector in A Bela e a Fera)
O encontro era inevitável, pois estávamos diante de um rito de passagem importante. Cansada de uma semana esgotante, com inúmeras responsabilidades pendentes, tive que me concentrar neste rito e com a inerente expectativa de êxito para a finalização de mais um ciclo. Apesar, do encontro doloroso de um passado que tento incessantemente esquecer.
Do alto da ladeira dos fundos, sinto um olhar em minha direção sem que eu o reconheça, por segundos, até a certeza de quem era. Surpreendida com as mudanças que o tempo imperioso foi capaz de marcar, vislumbro um homem totalmente diferente daquele que um dia fui capaz de amar. Pois, seu envelhecimento foi implacável em tirá-lo toda a beleza.
Sinto uma imensa compaixão por ele, que muito me entristece, ao constatar a sua aparência desgastada pela pele curtida do sol em demasia e enrugada, os cabelos ralos e sem saúde, os braços atrofiados pela ausência muscular, o corpo disforme apontando muito mais idade do que a real maturidade dos quase finados anos cinquentenário.
Não somente, a decadência física foi capaz de me surpreender, mas a opacidade dos seus olhos, cuja vivacidade era impulsionada pelo tique nervoso das piscadelas involuntárias. O tempo levou o seu brilho no olhar, denotando a infelicidade presente de um homem a beira da decrepitude. Apenas, a arrogância se mantém inabalada pela mira certeira do seu encarar. Sem que eu conseguisse em um só momento cruzar-lhe um olhar seu com ternura.
A dureza de sua postura, comprova seu sadismo em regojizo por minha derrota. Meu envelhecimento fulminante é visível, pelas dores que carrego ao lutar dia-a-dia contra a melancolia e atravessar uma sobrevivência abaixo da minha dignidade social. Enquanto, ele se refastela pelo conforto de um padrão de vida muito superior, jamais compartilhado comigo, em patrimônios, urbano, campestre e marítimo.
A dureza de sua postura, comprova seu sadismo em regojizo por minha derrota. Meu envelhecimento fulminante é visível, pelas dores que carrego ao lutar dia-a-dia contra a melancolia e atravessar uma sobrevivência abaixo da minha dignidade social. Enquanto, ele se refastela pelo conforto de um padrão de vida muito superior, jamais compartilhado comigo, em patrimônios, urbano, campestre e marítimo.
O corte emocional foi certeiro, esvaindo todo o meu afeto que advinha de uma admiração pretérita, deixando-me nauseada, quando o observava no afastamento local pela subserviência aos domínios das ligações e mensagens impertinentes de quem nos desagregou e, o comprou. Logo, um desprezo tomou meu âmago e tive vontade de desaparecer sem alardes.
As cargas do sofrimento ainda doem. Principalmente, quando sou humilhada pela interferência alheia que insiste em me tripudiar. Parece que não cessa nunca essa dor tão profunda. Talvez, bastasse um ato de dignidade em assumir sua covardia e me suplicar perdão. Porém, a crueldade o impede. Então, reajo em críticas ácidas que me diminuem como pessoa.
A noite cai, o ritual festivo acaba e afogo minhas mágoas solitariamente no entorpecer da champanha negociada na tentativa de vomitar todos esses sentimentos repulsivos que me sufoca. Anos antes, o inebriar da bebida me traria uma noite com o adormecer de pernas entrelaçadas. Agora, durmo com o cansaço do pranto.
Contudo, penso, que não o encontrarei tão cedo até me recuperar da ressaca emocional e esquecê-lo. Mas, eis que ele leva a chave, num signo de invasão territorialista, sem jamais me deixar em paz. Bato a porta e, rumo sem destino, numa tentativa desesperada em evitar o encontro que se dá infrutiferamente. Pois, me deparo com ele e sigo pela ruela solitária com minhas lágrimas amarguradas em dor.
sexta-feira, 19 de junho de 2015
O desencontro... A condenação da busca...
Quando na estrada escura, tateei o espaço sem encontrar tua mão e sem amparo para os tropeços da noite cega, chamei teu nome. Sem resposta, sentei à ermo esperando a claridade chegar. Fantasmas me assombravam, mas não temi pela certeza da tua chegada.
A noite passou longa, fria e faminta. Mas, nunca desesperancei a tua busca em mim, porque quando tu estavas perdido no caminho sinuoso, eu estava lá no teu encalço para te apoiar das topadas que te fizeram cair.
Amanheceu e a estrada se fez luminosa, mas te esperei. Não segui adiante, porque esperava tu me alcançares, mesmo ciente da limitação do teu atraso.
Porém, no entardecer recuei, e saí percorrendo o caminho da volta. Na ânsia em tua busca, me perdi e nunca mais cheguei. Restando, condenada ao eterno desencontro.
segunda-feira, 15 de junho de 2015
"Normal é a pessoa que simplesmente consegue viver, quaisquer que sejam as circunstâncias, contanto que lhe sejam garantidas as condições mínimas de vida. Mas muitos não o conseguem; por isso não existem muitas pessoas normais. O que comumente entendemos por "homem normal" é, na realidade, o homem ideal, portador de uma feliz mistura de caráter — o que é raríssimo. A grande maioria das pessoas mais ou menos diferenciadas requer condições de vida que lhes garantam algo mais do que simplesmente comer e dormir com relativa segurança. Para essas, o fim de uma relação simbiótica representa um abalo profundo." Jung
sábado, 13 de junho de 2015
A Ausência...
Então, ele me tirou da família
Dos amores possíveis
Do mundo
E, sempre me deixava sozinha
No início eram horas a sua espera
O jantar era sempre sozinha
Aí, preencheu meu vazio
Com um pedaço seu
Pequenino
Que eu cuidava sozinha
Depois, passou a me deixar
Mais tempo sozinha
Por mais dias
Seu pedaço cresceu
E, ele reservava poucos dias
Para cuidar dele
No fim, a distância era tão grande
Que eu passei a não esperá-lo mais
Seu pedaço passou a ser inteiro
Um dia, ele nunca mais voltou
Mas, deixou sua metade inteira
Que também, foi deixada
Agora, nem a metade inteira
Lembra mais dele
Porque ele nunca foi presente
sexta-feira, 12 de junho de 2015
Uma mulher intensa...
Sou intensa e ardente, meu interior não é nada insosso. Está sempre bem temperado de angústias e de sonhos. Ora, sou doce e suave. Mas, não me esprema porque posso me tornar ardida demais.
Quase Pronta
Em meu refúgio quase exilada do tempo
Observo a passagem quase estática
Aproveito a brisa tépida que leva quase a Primavera
Já se vai quase mais um ano
Do qual quase não senti passar
Mas, estou quase feliz
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