... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

domingo, 28 de outubro de 2012

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Suavidade e Delicadeza...


"O que me basta é o olho no olho, o toque suave no meu rosto, os dedos passando pelos meus cabelos, o silêncio da admiração, as mãos dadas, o aconchego da pele com pele, os beijos lentos sem pressa e por fim o adormecer abraçada". Claudine Garcy

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

É no sexo que se impõe a disputa de poder...

"Você é minha mulher. Você é meu mestre. O que constitui precisamente o valor fundador dessas falas, é que o que é visado na mensagem, como também o que é manifesto no fingimento, é que o outro está aí enquanto Outro absoluto". Lacan


Assim como, afirmou Lacan em que o "ato sexual não existe", amar está longe do sexo. Por mais que o desejo do outro seja primordial para consistir a relação amorosa, o sexo em si é abstrato e cria entre os parceiros eventuais fingimentos e afastamento. Amar significa não ter obrigação em transar e muito menos, o ato de penetração no coito consiste em plenitude. 

Não se trata aqui de amor romântico, eis que este já deixou há muito de existir em nossa sociedade contemporânea. Assim como, a mulher atingiu a liberdade conquistada a duras penas, resta agora conquistar a felicidade afetiva, cujo objetivo tem sido denotado pelas inúmeras tentativas de relacionamentos. Conjugar o amor com o desejo sexual é um dos grandes desafios da contemporaneidade. 

Na conquista, a iniciação do relacionamento pela paixão, o sexo é uma das armas subjetivas da mulher para prender o parceiro até conseguir tê-lo entregue. Ela não hesitará em se entregar as fantasias e qualquer forma de dar prazer ao Outro desejado. Porém, quando estiver plena e amando-o verdadeiramente, não terá o sexo como aliado, bastando apenas o afeto e a cumplicidade. É como se o sexo fosse uma tática para prendê-lo. Portanto, enquanto houver dúvida em relação aos sentimentos do ser desejante e sentir-se ameaçada por outra usará estrategicamente o sexo para conter seu amado. 

Sua completude está no amor e, então, não convém mais sexualizar a relação. Ela quer companheirismo, conversa, compreensão e unidade. Se for contemplada ainda com a maternidade estará unificada ao parceiro, sem qualquer disputa de poder. 

Certa vez, ouvi uma declaração bastante interessante e de ampla profundidade a ser refletida. Em que uma mulher de mais de 40 anos expôs sua frustração em conciliar o ato sexual ao amor vivido com o marido. Disse ela: "- O sexo me causa um distanciamento e na realidade, sinto-o como uma das necessidades primitivas, como comer, beber e excretar. Gosto do olho no olho, dos afagos em meus cabelos, do abraço, sentir peito no peito, mãos dadas e, quando há o ato sexual em si não me causa tanta satisfação quanto ao ato de afeto. É como se o orgasmo fosse um término de todo amor...".

Esta é uma maneira de dizer, não preciso transar com você para amá-lo. E, certos homens não entendem isso e apenas, se satisfazem pelo ato sexual em si. Desprezam o afeto e apenas, necessitam despejar sua ânsia pela ejaculação. Parece que são adeptos do sexo como uma forma de demarcar território e praticam sexo como se fossem atores de uma cultura de filmes pornográficos. Apenas, satisfazem seu narcisismo pelo coito com penetrações intensas e de preferência na posição contrária, sem o tal olho no olho conforme citação mencionada anteriormente. E nessa disputa de poder, tendo em vista que o sexo é uma das mais primitivas formas de poder e de subjugar a mulher, o homem passa a ser rejeitado pela parceira que não consegue se sentir plena e tão somente, como um receptáculo de esperma semelhante ao descarte.

Certa vez, uma outra mulher bastante sofrida pela separação de um casamento estável, na busca de alguém para preencher o vazio, se relacionou com um homem muito sedutor e extremamente interessante, donde nos momentos de intimidade inexistia o ato de penetração em si. No entanto, a troca de afeto era tão intenso que a fazia sentir plena e toda delicadeza transbordava seu vazio. Então, ao ouvi-lo se declarar que o amor sentido por ela era tão sublime que não o possibilitava transar, a fez chorar emocionada por perceber o quanto ainda amava o seu ex-marido porque sentia o mesmo durante todos os anos vividos. O que a preenchia eram as trocas de olhares, os afagos, as gentilezas, a fala baixinha e o afeto. Apesar, de nunca tê-lo em absoluto.

Assim, no sexo se impõe a disputa de poder e o amor não comporta tal disputa; apenas sentimento.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Disfarçamos a dor...


Mulher Casada: Dois pesos e duas medidas...


A cada dia os relacionamentos se evaporam e raros são casamentos duradouros. Na hipocrisia da sociedade de consumo, amores são descartáveis e mulheres bem sucedidas profissionalmente se deparam com uma dura escolha, solidão ou sucesso ? Dedicação à família ou promoção profissional ? Muitas, se optam pelo casamento estarão fadadas a uma carga de compromissos e responsabilidades sem qualquer garantia de êxito. Se conseguirem suportar as exigências afetivas familiar, assim que os filhos estiverem criados farão parte do percentual estatístico, sendo facilmente descartadas por outras mais novas. 

Há as que não suportarão o tédio da dedicação exclusiva ao casamento, em que se sentem colonizadas e acabam criando rancores pela insatisfação do compromisso procurando paixões clandestinas, como uma maneira vingativa de todo descontentamento. Perdurando numa falsa relação com escapes que as permitirão continuar casadas. Ou então, as que não se importarão em trocar de marido, mantendo sucessivas relações.

No tocante, a questão da mulher e do casamento, a obra revolucionária do século XX, O Segundo Sexo de Simone de Beavoir, é senão, a mais atual mesmo nos dias de hoje. Em que a autora exprime toda desigualdade mantida em relação à mulher livre e a felicidade em seus relacionamentos.

Todavia, por mais que a mulher tenha atingido a liberdade de escolha, sua independência financeira, muitas ainda sonham com o casamento. Não é à toa que a indústria de cerimonial cresce a cada dia. Entretanto, muitos relacionamentos por mais que aparentem a perfeição, e como afirma Simone de Beauvoir "dão a impressão de uma perfeita igualdade. Mas, enquanto o homem conserva a responsabilidade econômica do casal isso não passa de ilusão. Ele é quem fixa o domicílio conjugal segundo as exigências de seu trabalho: ela acompanha-o". Portanto, está aí a desproporção em relação aos planos individuais da mulher. Apesar das conquistas, dos dias atuais, perdura a desigualdade e a mulher vai suportando as frustrações em favor do amor conjugal e da família. Mas, esse sacrifício tem um preço emocional gerando insatisfações e distanciamentos. Assim, depois de substituir todo seu investimento profissional em função da carreira do marido, a mulher torna-se inferiorizada e consequentemente subordinada. Transforma-se num objeto de uso para o marido que a trata com cobranças, principalmente na questão sexual. Não são raras as queixas da ausência de uma vida sexualmente plena, em que a mulher frustrada em sua concepção de união conjugal sublima sua condição de desejo sexual e o direciona para o consumo, a religião ou ideologias que substituem a sua condição de disponibilidade ao bel prazer do marido.

Certa vez, ouvi um curioso desabafo de uma mulher extremamente inteligente, independente financeiramente, quando da sua separação conjugal: "Agora, me sinto livre, sei que não sou frígida, tenho libido e sem a obrigação de me prostituir a cada investida do meu marido que só de imaginar que ele queria transar comigo eu gelava". Outras, tinham a mesma opinião sobre a questão sexual, "Amo meu ex-marido ainda, mas já não aguentava a cobrança sexual na época de casada. Hoje tenho um caso com ele e tenho desejo, mas não estou obrigada, acho que por isso minha vida sexual se normalizou"... "Eu não aguentava a cara de mal-humor no café da manhã e as grosserias porque não tinha vontade de transar com ele"... "Eu transava obrigada e muitas vezes me dava nojo dele"... Assim, são as inúmeras reclamações das mulheres casadas em relação a se sentirem objeto ao dispor dos maridos e frustradas no campo afetivo.

Entretanto, a separação e o divórcio não são vistos como solução pelas mesmas, mais precisamente como se fosse uma sanção penal atestando sua incompetência em manter o casamento. Outra menção à respeito quem vem de encontro a situação fática que ainda persiste é que "O divórcio para a mulher é apenas uma possibilidade abstrata, em não tendo ela meios de ganhar a própria vida: ... a sorte da mulher, da mãe abandonada com uma mesada irrisória, é um escândalo. Mas a desigualdade profunda vem do fato de que o homem se realiza concretamente no trabalho ou na ação, ao passo que, para a esposa, enquanto esposa, a liberdade tem apenas um aspecto negativo... Há jovens mulheres que já tentam conquistar essa liberdade positiva; mas raras são as que perseveram durante muito tempo em seus estudos ou sua profissão; o mais das vezes sabem que o interesse de seu trabalho será sacrificado à carreira do marido; só trarão para o lar um salário suplementar; só se empenham timidamente numa empresa que não as arranque à servidão conjugal"

Da mesma forma, que é demasiadamente estressante a posição da mulher profissional casada que acumula dupla, senão tripla jornada de trabalho, aonde a maternidade será um peso gerando culpas e desconfortos à união matrimonial pela desigualdade de funções perante as responsabilidades. Quiçá quando a mulher é divorciada e exerce a função solitária em manter a família com a irrisória mesada recebida pela guarda da prole. Como atesta novamente, Simone de Beauvoir, "Há mulheres que encontram em sua profissão uma independência verdadeira; mas são numerosas aquelas para quem o trabalho "fora de casa" não representa no quadro do casamento senão uma fadiga a mais. Aliás, amiúde, o nascimento de um filho obriga-as a confinarem-se em seu papel de matrona; é atualmente muito difícil conciliar trabalho com maternidade".

Por fim, essa desunião de gêneros, devido a desigualdade imposta pelo modelo machista do patriarcado, marca a disputa de demarcação no território afetivo, seja pelo fracasso das relações voláteis ou pela insuportabilidade da posição inferiorizada da mulher. A qual ganhou liberdade pela independência financeira, mas ainda almeja a felicidade na expectativa do casamento.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

"A dor da gente não sai no jornal..."



"Tentou contra a existência
Num humilde barracão.
Joana de tal, por causa de um tal joão.

Depois de medicada,
Retirou-se pro seu lar.
Aí a notícia carece de exatidão,
O lar não mais existe
Ninguém volta ao que acabou
Joana é mais uma mulata triste que errou.

Errou na dose
Errou no amor
Joana errou de joão
Ninguém notou
Ninguém morou na dor que era o seu mal
A dor da gente não sai no jornal."

(Chico Buarque - Notícia de Jornal