... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

É no sexo que se impõe a disputa de poder...

"Você é minha mulher. Você é meu mestre. O que constitui precisamente o valor fundador dessas falas, é que o que é visado na mensagem, como também o que é manifesto no fingimento, é que o outro está aí enquanto Outro absoluto". Lacan


Assim como, afirmou Lacan em que o "ato sexual não existe", amar está longe do sexo. Por mais que o desejo do outro seja primordial para consistir a relação amorosa, o sexo em si é abstrato e cria entre os parceiros eventuais fingimentos e afastamento. Amar significa não ter obrigação em transar e muito menos, o ato de penetração no coito consiste em plenitude. 

Não se trata aqui de amor romântico, eis que este já deixou há muito de existir em nossa sociedade contemporânea. Assim como, a mulher atingiu a liberdade conquistada a duras penas, resta agora conquistar a felicidade afetiva, cujo objetivo tem sido denotado pelas inúmeras tentativas de relacionamentos. Conjugar o amor com o desejo sexual é um dos grandes desafios da contemporaneidade. 

Na conquista, a iniciação do relacionamento pela paixão, o sexo é uma das armas subjetivas da mulher para prender o parceiro até conseguir tê-lo entregue. Ela não hesitará em se entregar as fantasias e qualquer forma de dar prazer ao Outro desejado. Porém, quando estiver plena e amando-o verdadeiramente, não terá o sexo como aliado, bastando apenas o afeto e a cumplicidade. É como se o sexo fosse uma tática para prendê-lo. Portanto, enquanto houver dúvida em relação aos sentimentos do ser desejante e sentir-se ameaçada por outra usará estrategicamente o sexo para conter seu amado. 

Sua completude está no amor e, então, não convém mais sexualizar a relação. Ela quer companheirismo, conversa, compreensão e unidade. Se for contemplada ainda com a maternidade estará unificada ao parceiro, sem qualquer disputa de poder. 

Certa vez, ouvi uma declaração bastante interessante e de ampla profundidade a ser refletida. Em que uma mulher de mais de 40 anos expôs sua frustração em conciliar o ato sexual ao amor vivido com o marido. Disse ela: "- O sexo me causa um distanciamento e na realidade, sinto-o como uma das necessidades primitivas, como comer, beber e excretar. Gosto do olho no olho, dos afagos em meus cabelos, do abraço, sentir peito no peito, mãos dadas e, quando há o ato sexual em si não me causa tanta satisfação quanto ao ato de afeto. É como se o orgasmo fosse um término de todo amor...".

Esta é uma maneira de dizer, não preciso transar com você para amá-lo. E, certos homens não entendem isso e apenas, se satisfazem pelo ato sexual em si. Desprezam o afeto e apenas, necessitam despejar sua ânsia pela ejaculação. Parece que são adeptos do sexo como uma forma de demarcar território e praticam sexo como se fossem atores de uma cultura de filmes pornográficos. Apenas, satisfazem seu narcisismo pelo coito com penetrações intensas e de preferência na posição contrária, sem o tal olho no olho conforme citação mencionada anteriormente. E nessa disputa de poder, tendo em vista que o sexo é uma das mais primitivas formas de poder e de subjugar a mulher, o homem passa a ser rejeitado pela parceira que não consegue se sentir plena e tão somente, como um receptáculo de esperma semelhante ao descarte.

Certa vez, uma outra mulher bastante sofrida pela separação de um casamento estável, na busca de alguém para preencher o vazio, se relacionou com um homem muito sedutor e extremamente interessante, donde nos momentos de intimidade inexistia o ato de penetração em si. No entanto, a troca de afeto era tão intenso que a fazia sentir plena e toda delicadeza transbordava seu vazio. Então, ao ouvi-lo se declarar que o amor sentido por ela era tão sublime que não o possibilitava transar, a fez chorar emocionada por perceber o quanto ainda amava o seu ex-marido porque sentia o mesmo durante todos os anos vividos. O que a preenchia eram as trocas de olhares, os afagos, as gentilezas, a fala baixinha e o afeto. Apesar, de nunca tê-lo em absoluto.

Assim, no sexo se impõe a disputa de poder e o amor não comporta tal disputa; apenas sentimento.