... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Neurose... Uma maneira de ser e de reagir à vida.


"O neurótico tem a alma de uma criança e suporta mal as restrições arbitrárias, cujo sentido não reconhece; aliás, ele procura apropriar-se dessa moral, mas desavém-se consigo mesmo. Quer reprimir-se, por um lado, e libertar-se, por outro. A este conflito damos o nome de neurose." 
(C. G. Jung in Psicologia do Inconsciente) 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A insatisfação sexual dos relacionamentos estáveis...


"O instrumento mais usado pelo sistema para fortalecer a dominação é o sexo. 
O homem moderno... Conservou apenas como descarga da libido o ato sexual propriamente dito (...) contenta-se com satisfações apenas sexuais."
(Rose-Marie Muraro in Libertação Sexual da Mulher)


Bastante pertinente, a insatisfação sexual que assola os casais, como coloca a feminista Rose-Marie Muraro e a antropóloga Mirian Goldenberg. Vivemos na era das cobranças e, uma das maiores reclamações masculina é a exigência sexual em relação às parceiras como se fosse obrigação. Já, a maior reivindicação feminina está no afeto e compreensão. 

Assim, a coluna semanal do jornal a Folha de São Paulo publicou a seguinte matéria da antropóloga.




Para muitas mulheres, 
o sexo se tornou mais uma obrigação; 
e muitas preferem fingir a dizer não.

UM dos dados que mais chama a atenção nas minhas pesquisas é o da insatisfação sexual. A ideia de que o desejo sexual masculino é muito maior e o feminino é mais complicado está presente nos discursos de homens e de mulheres.

Uma professora de 37 anos diz: "Os homens acham que preliminares são minutos de carinhos na cama. Para mim, preliminar é tudo o que ele faz muito antes: a atenção, a delicadeza, o sorriso, a gentileza. Não adianta ser carinhoso na cama se passou o dia todo sendo agressivo, implicante ou desagradável".

Uma nutricionista de 52 anos reclama: "Meu marido acha que não tenho vontade de fazer sexo por estar na menopausa. Diz que muitas mulheres têm orgasmos múltiplos e eu não tenho nenhum há tempos. Com tanto blá-blá-blá fico mesmo sem tesão".

Ela diz que o filho, de 27 anos, prefere garotas de programa. "Ele é bonito e inteligente, pode ter a namorada que quiser. Mas acha as meninas chatas demais, querem jantar, ir ao cinema e, depois, ainda querem discutir a relação por SMS. Ele acha mais divertido e barato transar com garotas de programa."

Muitos homens reclamam das excessivas demandas afetivas e sexuais das mulheres.

Um economista de 45 anos diz: "Na hora de ir para a cama, minha mulher começa: você tomou banho, escovou os dentes, passou fio dental? Pagou o INSS da empregada? Levou o carro para o mecânico? É fácil entender por que tantos homens preferem prostitutas".

Um jornalista de 30 anos conta: "Depois que tivemos nosso filho, minha mulher não quer mais transar. Está sempre ligada no bebê, na casa, no trabalho. Diz que está exausta, que é uma fase e que não estou sendo compreensivo. Só que estou há mais de seis meses sem transar. Que homem aguenta?".

Um sociólogo de 49 anos afirma: "Se minha mulher quisesse, eu transava com ela todos os dias. Só que ela não quer. Eu preciso muito mais de sexo do que ela. Acho que é da natureza masculina. Por isso, tenho duas amantes. Não vou transar só quando ela quer".

Entrevistei muitas mulheres que fingem ter um orgasmo para poder dormir ou fazer as coisas que realmente querem fazer. Elas dizem que gostam de sexo, mas se sentem oprimidas com a obrigação de gozar cem por cento das vezes.

Não é estranho pensar que, para muitas mulheres, o prazer sexual tenha se tornado mais uma obrigação? E que muitas prefiram fingir a dizer não?

Fonte:  http://www1.folha.uol.com.br/colunas/miriangoldenberg/

MIRIAN GOLDENBERG, antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é autora de "Toda Mulher é Meio Leila Diniz" (Ed. BestBolso)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A dor do adeus...


Se não me amas mais
Não pises em meu pranto.

Se não me queres mais
Não chutes meu desejo.

Se não me vejas mais
Não fures meus olhos.

Se não me suportas mais
Não apague minha luz.

Deixa-me com minha dor
Saia como entraste
Tua culpa fará teu sepulcro.
(C. Garcy)



Haviam algumas poucas roupas esquecidas no armário. Todos os dias abria a porta da lembrança, mesmo que fosse para sentir o aroma acre mofado. As camisas penduradas de tantos momentos vividos e presenteadas em datas especiais, os ternos intactos das noites alegres e uma íntima vontade de agarrá-los. 

Por muitos dias e meses, chorei nesse armário, afaguei teu lugar vago, senti o pouco do cheiro que sobrou de você. Havia ali, um resto dos anos deixados para trás. Uma pequena esperança da volta. Mas, Jorge não as haviam esquecido. Estavam lá somente para se fazer presente, caso quisesse voltar. 

Com o novo rumo, casou e não possuía mais laços em voltar. De súbito abriu o armário e levou sua permanência para outro alguém. Corri até a porta e com um nó na garganta o vi partir. Seu último olhar era para nunca mais voltar.

Chorei muito a solidão e a imagem daquele olhar de quem jamais me amou. É triste a agonia de uma espera sem sentido, donde nada voltará como antes.  

"Versos Íntimos"

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.









Toma um fósforo. Acende teu cigarro !
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.










Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija !
(Augusto dos Anjos - Versos Íntimos)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Jamais Permita... Poema Celta

As mulheres de origem Celta eram criadas tão livremente como os homens. A elas era dado o direito de escolher seus parceiros e a segurança de que nunca poderiam ser forçadas a uma relação que não era do seu agrado. Eram ensinadas a trabalhar para que pudessem garantir seu sustento, além de serem excelentes amantes, donas de casas e mães. A primeira lição que aprendiam era a seguinte: "Ama teu homem e o segue, mas somente se ambos representarem um para o outro: amor, companheirismo e amizade."





POEMA CELTA - Jamais permita

Jamais permita que algum homem a escravize: você nasceu livre para amar, e não para ser escrava.
Jamais permita que o seu coração sofra em nome do amor.
Amar é um ato de felicidade, por que sofrer?
Jamais permita que seus olhos derramem lágrimas por alguém que nunca fará você sorrir!
Jamais permita que o uso de seu próprio corpo seja cerceado.
Saiba que o corpo é a moradia do espírito, por que mantê-lo aprisionado?
Jamais se permita ficar horas esperando por alguém que nunca virá, mesmo tendo prometido!
Jamais permita que o seu nome seja pronunciado em vão por um homem cujo nome você sequer sabe!
Jamais permita que o seu tempo seja desperdiçado com alguém que nunca terá tempo para você!
Jamais permita ouvir gritos em seus ouvidos.
O Amor é o único que pode falar mais alto!
Jamais permita que paixões desenfreadas transportem você de um mundo real para outro que nunca existiu!
Jamais permita que os outros sonhos se misturem aos seus, fazendo-os virar um grande pesadelo!
Jamais acredite que alguém possa voltar quando nunca esteve presente!
Jamais permita que seu útero gere um filho que nunca terá um pai!
Jamais permita viver na dependência de um homem como se você tivesse nascido inválida!
Jamais se ponha linda e maravilhosa a fim de esperar por um homem que não tenha olhos para admirá-la!
Jamais permita que seus pés caminhem em direção a um homem que só vive fugindo de você!
Jamais permita que a dor, a tristeza, a solidão, o ódio, o ressentimento, o ciúme, o remorso e tudo aquilo que possa tirar o brilho dos seus olhos a dominem, fazendo arrefecer a força que existe dentro de você!
E, sobretudo, jamais permita que você mesma perca a dignidade de ser MULHER!

Fonte: O Bosque de Berkana
https://www.facebook.com/pages/O-Bosque-de-Berkana/206807786067043

domingo, 19 de agosto de 2012

Hoje não. Estou com dor de cabeça...

"Quando a mulher retoma sua dignidade e rejeita a prostituição velada do casamento, sua função perde o sentido"


Carolina por muitas vezes, para evitar cobranças ou ter enfrentar o mau humor de Carlos pela manhã, cedia ao sexo forçado como se fosse apenas um objeto. Assim, como tantas mulheres confessam, por temerem que seus maridos busquem em outras o sexo negado daquela noite. 

Não obstante, Carlos tinha aquela cobrança implacável como exigia desejo e performance no ato. Sempre acusando-a de traição para conseguir a todo custo seu escape de homem primário. Eis que, não havia a menor preocupação com o romantismo ou preocupação com o estado da mulher. 

A mulher casada é vista como propriedade privada pelo marido, cuja principal função se designa a manter a herança genética, através da maternidade. E, satisfazer as necessidades sexuais do marido como um depósito de esperma na demarcação do território. Tanto, que muitos maridos se recusam a usar preservativos com a esposa e se ofendem ao serem cobrados pelo método, seja como anticonceptivo ou por proteção contra DST. Muito embora, tenham casos extraconjugais expondo a mulher ao risco.

Carlos fazia parte dessa estatística, tinha amantes e mantinha uma vida promíscua, exigindo de Carolina que não usasse tal medida de proteção. Sempre com a mesma desculpa de que ela é quem o traia, bem como sustentava suas mentiras invertendo o jogo. Não bastou, para que a mulher aumentasse sua auto-estima, recuperasse dua dignidade de pessoa para que não tivesse mais serventia. Assim, o casamento acabou.

Então, a questão sexual para o homem ainda é uma manifestação de dominação e não é à-toa o chiste comum da "dor-de-cabeça" direcionado à mulher. 


terça-feira, 14 de agosto de 2012

Abandono afetivo...

"O sofrimento nos ameaça a partir de três direções: de nosso próprio corpo, condenado à decadência e à dissolução, (...) do mundo externo (...); e finalmente de nossos relacionamentos com os outros homens. O sofrimento que provêm dessa ultima fonte talvez nos seja mais penoso do que qualquer outro." (Freud in Mal-estar da civilização)


Uma das mentiras sinceras mais ditas nas famílias compostas de mais de um filho é "amo meus filhos da mesma forma" ou "para mim gosto igualmente dos meus filhos". Talvez, os pais na tentativa de evitar os conflitos comuns de toda família, utilizem tal desculpa. Entretanto, mesmo os filhos desconfiados de que não existe essa igualdade, relevam e sigam comum o ritmo da união familiar. 

Mas, o que torna perigoso nesta questão, é quando um dos filhos tem a certeza de que é preterido e, os pais não se importam em disfarçar. Daí, entra em cena um dos trágicos mitos bíblicos, Caim e Abel. 

Recentemente, me deparei com um caso nesse sentido e quão é perverso a predileção direta de um filho em relação aos outros. Causando não somente a dor da rejeição, como a quebra de vínculos entre os irmãos. 

Durval teve dois filhos do primeiro casamento e um do segundo casamento. Apesar, dos três filhos serem de mães diversas foram criados unidos e sem diferenças. Obviamente, o caçula pela considerável diferença de idade detinha ainda, da atenção de ambos irmãos. Com a separação, Durval resolveu assumir publicamente seu relacionamento com a nova mulher que antes era amante. E, portanto deu-se a desconstrução familiar. 

Não obstante, Durval ainda manteve o mesmo comportamento infiel no casamento anterior. Entretanto privando àquela amante da época do convívio com os dois filhos. Inclusive, mantendo o relacionamento no anonimato para preservá-los e evitar mais danos emocionais à família.

Era notório a predileção deste pai à filha mulher, do primeiro casamento. Mas, que passava impunemente pelo fato dos outros filhos serem homens. Comum, os atritos e os conflitos entre irmãos, mas diante da amizade e afinidade dos três não era suficiente para gerar maiores prejuízos de ordem psíquica. 

No entanto, a rejeição referente ao caçula foi tão gritante que o pai nem sequer se preocupou em disfarçar. O preteriu não apenas, em relação ao tratamento dado aos irmãos, mas se tornando ausente. Ou seja, a dor do abandono paterno foi suficiente para desconstruir a ligação entre os irmãos. 

Assim, por mais que seja real a predileção por um dos filhos, os pais devem sempre ter muito cuidado na igualdade de tratamento. Pois, afinidade é uma coisa e amor deve-se construir a base da paternidade. Evitando desta forma, o abandono afetivo e suas sérias consequências no campo emocional. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A subserviência da Outra é o melhor estratagema contra a mulher...


"Ele diz que está comigo porque sou carinhosa, compreensiva, alegre, leve. Ele me chama de sweetheart. Reclama que a mulher dele é muito mandona, briga muito, exige demais. Ele morre de medo dela. Sabe como ele chama a mulher ? Bruxa, megera, autoritária... Ele sente falta de carinho, quer alguém que cuide dele, que o admire. Sei que não é por falta de opção que ele está comigo. Então, eu capricho. Estou sempre cheirosa e arrumada, sou muito carinhosa e atenciosa, faço massagem nos pés dele, preparo comidinhas gostosas, sou compreensiva, digo que ele é o melhor amante do mundo. Não cobro nada, não reclamo de nada. E ele sempre volta para mim." Mirian Goldenberg in Intimidade

A dor da separação... Ao sofrimento dos filhos !


"Quando há separação, a criança ou adolescente enfrenta o medo e as conseqüências negativas de um lar desfeito."
(Corinna Schabbel)




"... estudos revelam que crianças menores têm menos dificuldade em se ajustar às regras familiares estabelecidas pós-divórcio, enquanto que filhos adolescentes e jovens adultos vivem conflitos envolvendo lealdade e raiva em relação ao progenitor, principalmente o pai, mesmo que este não tenha sido responsável pelo início da separação."
(WALLERSTEIN; KELLY; CUMMINGS ; DAVIES, HYMAN, ALPERT; SHEEBER).

O corpo da mulher é um objeto que se compra...

Por mais que esteja fadado ao fracasso, o casamento ainda é almejado e a família insiste em existir. Nem que seja por prazo determinado. A sociedade e o Estado cobram uma formalização de compromisso diante dos relacionamentos, quer no casamento ou na união estável, para cumprir a função social da formação familiar.

Mulheres se casam e passam a apresentar neuroses e psicoses diante da farsa que é a vida conjugal. Na verdade a mulher casada é um objeto ao dispor do marido. Pois, bem aponta a filósofa parisiense Simone de Beauvoir, em sua magnânima obra O Segundo Sexo. Expressando perfeitamente essa prostituição velada do casamento.


A mulher casada é subordinada aos desejos do marido, servindo ao seu dono.

"...ela tem também por função satisfazer as necessidades sexuais de um homem e tomar conta do lar. O encargo que lhe impõe a sociedade é considerado como um serviço prestado ao esposo: em conseqüência deve ele à esposa presentes... 

o ato de amor é, da parte da mulher, um serviço que presta ao homem; ele toma seu prazer e deve em troca alguma compensação. O corpo da mulher é um objeto que se compra; para ela, representa um capital que ela se acha autorizada a explorar...

... o ato sexual é considerado um serviço imposto à mulher e no qual assentam as vantagens que lhe são concedidas, é lógico que não se dê importância a suas preferências singulares. O casamento é destinado a defendê-la contra a liberdade do homem: mas como não há nem amor nem individualidade fora da liberdade, a fim de se assegurar para sempre a proteção de um macho, ela deve renunciar ao amor de um indivíduo singular." 

O amor que tu me deste era pouco e se acabou...

"Os clássicos argumentos de insegurança, sentimentos de inferioridade, medo da perda, são apenas a cobertura superficial de outros impulsos, mais difíceis de admitir. Para a teoria psicanalítica, o verdadeiro motivo dos ciúmes excessivos é a homossexualidade latente... Os ciúmes normais e discretos são um subproduto lógico do amor, os ciúmes exagerados e compulsivos são a expressão visível de desejos inconscientes, facilmente identificáveis." Alberto Goldin


Relembrando do meu relacionamento com Diogo, hoje não tenho mais dúvidas do quanto deveria ser duro para ele, a contradição de ter uma família constituída nos moldes dos valores morais heterossexuais e ter que se reprimir da homossexualidade. 

Aqueles rompantes coléricos com cenas falsas de ciúmes exagerado que me fazia escutar madrugada adentro um monólogo acalorado, sempre me imputando a infidelidade, e me culpando da sua infelicidade, nada mais era do que sua atração secreta e reprimida pelos homens que ele julgava me desejar. 

A fixação compulsiva nas investigações das minhas ligações telefônicas, das mensagens pelo celular e por correio eletrônico era apenas uma representação de uma fantasia latente. 

Na verdade, Diogo queria era se aproximar dos homens que me ameaçavam, se sentindo atraído sexualmente por eles. Não era desconfiança da minha honestidade e fidelidade que estava em questão. Muito pelo contrário, enquanto existia essa dúvida ele se alimentava do fetiche da traição.

Contudo, ao se sentir seguro do meu amor e constatar que não havia nenhum fantasma, me descartou por outra mulher que o deixa inseguro, capaz de alimentar essa fantasia.