... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

A ira...


Os danos são incalculáveis quando se sofre violência. 
Da ira à inércia, 
Do ódio ao temor, 
Da tristeza ao desespero, 
Da dor ao sofrimento 
E por fim, o trauma.

 

O luto...


Aos poucos vou saindo do luto. Foram anos vivendo no limbo, sem perspectiva de algum futuro possível. Na verdade, a melancolia, por mais longa que seja, apenas se vivencia o passado na tentativa frustrada de regaste das lembranças. Não há presente, pois o sofrimento apaga qualquer temporalidade ativa contaminando negativamente algo que ainda possa vir.

Jogo meus antidepressivos no lixo, que me ajudaram a sobreviver na dor pungente, mas me anestesiaram da vida. Onde as emoções pareciam estar controladas para não haver oscilações. Nem tristeza e nem euforia, apenas o linear inerte, tal qual o olhar paralisante ao infinito sem horizonte. 

Os anos marcaram minha pele, branquearam meus cabelos, modificaram minhas feições e aumentaram meu peso, cujo envelhecimento julguei-o injusto pela rapidez derradeira. Mas, não. Foi sim, um longo tempo no vácuo como se estivesse em coma e acordasse de repente, e ao me olhar no espelho não me reconheci.

Agora, volto ao amadurecimento saudável e percebo meu corpo retornando suas formas pertinentes à idade, minha nudez não me apavora, pois meus seios permanecem dentro da firmeza esperada apesar da cicatriz esquerda já tênue pela recuperação longínqua da cirurgia. Assim, a beleza vai aflorando novamente com vivacidade transmutando a opacidade da pele em suaves vincos imperceptíveis pela luminosidade da pouca maquiagem, aos fios prateados dos cabelos ainda os mantenho longos e recorro a tintura que os colore. 

Na desorganização da casa, ainda restam gavetas abarrotadas de escritos amarelados, roupas mofadas pelo desuso e caixas lacradas empoeiradas, que precisam da iniciativa para faxina. Talvez, agora consiga remexer no desconforto emocional que tanto protelei evitando reviver as lembranças daquele tempo sacramentado. 

Você não me faz mais falta, sua ausência presente sepultou todo um passado que se evapora me libertando do caos


   

sábado, 21 de novembro de 2015

O Tempo perdido...




A juventude se esvai.
Parece que se foi em instantes.
Mesmo, no decorrer dos anos.
Vividos com planos inacabados.
Que agora, se foram.
Sem poder realizá-los.

Assim, meu pranto jorra.
Em lágrimas doídas.
Pelos anos esvaídos.
Sofridos.
Pela traição do tempo.
Do engano.

A decepção machuca.
Pela expectativa frustrada.
De uma época roubada.
Na violência sentida.
Que resulta no desamparo.
Da solidão forçada.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O ressentido...

"O ressentimento é uma vingança imaginária e adiada" 
Nietzsche 



Seu ressentimento era camuflado e permaneceu durante anos, àquela mágoa que o consumia diariamente na espera de uma vingança. Sem que ele tivesse coragem para agir, um dia me dissera: "A gente se cura da dor estando com a pessoa e depois se vinga deixando-a". Assim, ele nunca esqueceu de algo que o fiz sofrer, sem que eu me lembre o que foi. E, talvez jamais saberei porque esqueci. Mas, ele não. Permanecendo nesse lamento contínuo a me imputar a culpa por sua falta. Foram anos de tortura sob a ameaça de uma vingança premeditada, até que outrem pudesse tomar para si a autoria da sua vingança. Então, ele se foi feliz por se sentir vingado.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Solidão

"E, então me tranquei na minha dor. Passei a viver na escuridão, dias e noites no quarto com a janela fechada... Restou-me as refeições sentada à mesa solitária. Aí, comecei a falar sozinha para ouvir alguma voz. Parecia que ia enlouquecer por não suportar mais a sua falta."
 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A vaidade...




“As pessoas que estão no fundo do abismo imediatamente tomam algum método de ascensão e, trocam. Nós não consertamos mais coisas e nós não consertamos mais relações humanas, nós trocamos. E ao trocar sapatos, computadores e pessoas que amamos por outras pessoas, vamos substituindo a dor do desgaste pela vaidade da novidade, ao trocar alguém creio imediatamente eu me torno alguém mais interessante e não percebo que aquele espelho continua sendo o drama da minha vaidade. O que eu não tolero na pessoa anterior é que ela me mostrou o quanto eu estou decaindo, envelhecendo ou sou desinteressante e, na nova pessoa eu exploro o qto eu quero ser interessante, instigante e assim por diante...” Leandro Karnal

domingo, 2 de agosto de 2015

A chave da prisão emocional...

"Cada pessoa é um mundo. Cada pessoa tem sua própria chave e a dos outros nada resolve, só se olha para o mundo alheio por distração, por interesse, por qualquer outro sentimento que sobre nada e que nos é vital, o 'mal de muitos' é consolo, mas não é solução." (Clarice Lispector in A Bela e a Fera)


O encontro era inevitável, pois estávamos diante de um rito de passagem importante. Cansada de uma semana esgotante, com inúmeras responsabilidades pendentes, tive que me concentrar neste rito e com a inerente expectativa de êxito para a finalização de mais um ciclo. Apesar, do encontro doloroso de um passado que tento incessantemente esquecer. 

Do alto da ladeira dos fundos, sinto um olhar em minha direção sem que eu o reconheça, por segundos, até a certeza de quem era. Surpreendida com as mudanças que o tempo imperioso foi capaz de marcar, vislumbro um homem totalmente diferente daquele que um dia fui capaz de amar. Pois, seu envelhecimento foi implacável em tirá-lo toda a beleza.

Sinto uma imensa compaixão por ele, que muito me entristece, ao constatar a sua aparência desgastada pela pele curtida do sol em demasia e enrugada, os cabelos ralos e sem saúde, os braços atrofiados pela ausência muscular, o corpo disforme apontando muito mais idade do que a real maturidade dos quase finados anos cinquentenário. 

Não somente, a decadência física foi capaz de me surpreender, mas a opacidade dos seus olhos, cuja vivacidade era impulsionada pelo tique nervoso das piscadelas involuntárias. O tempo levou o seu brilho no olhar, denotando a infelicidade presente de um homem a beira da decrepitude. Apenas, a arrogância se mantém inabalada pela mira certeira do seu encarar. Sem que eu conseguisse em um só momento cruzar-lhe um olhar seu com ternura.

A dureza de sua postura, comprova seu sadismo em regojizo por minha derrota. Meu envelhecimento fulminante é visível, pelas dores que carrego ao lutar dia-a-dia contra a melancolia e atravessar uma sobrevivência abaixo da minha dignidade social. Enquanto, ele se refastela pelo conforto de um padrão de vida muito superior, jamais compartilhado comigo, em patrimônios, urbano, campestre e marítimo.

O corte emocional foi certeiro, esvaindo todo o meu afeto que advinha de uma admiração pretérita, deixando-me nauseada, quando o observava no afastamento local pela subserviência aos domínios das ligações e mensagens impertinentes de quem nos desagregou e, o comprou. Logo, um desprezo tomou meu âmago e tive vontade de desaparecer sem alardes.

As cargas do sofrimento ainda doem. Principalmente, quando sou humilhada pela interferência alheia que insiste em me tripudiar. Parece que não cessa nunca essa dor tão profunda. Talvez, bastasse um ato de dignidade em assumir sua covardia e me suplicar perdão. Porém, a crueldade o impede. Então, reajo em críticas ácidas que me diminuem como pessoa.

A noite cai, o ritual festivo acaba e afogo minhas mágoas solitariamente no entorpecer da champanha negociada na tentativa de vomitar todos esses sentimentos repulsivos que me sufoca. Anos antes, o inebriar da bebida me traria uma noite com o adormecer de pernas entrelaçadas. Agora, durmo com o cansaço do pranto.

Contudo, penso, que não o encontrarei tão cedo até me recuperar da ressaca emocional e esquecê-lo. Mas, eis que ele leva a chave, num signo de invasão territorialista, sem jamais me deixar em paz. Bato a porta e, rumo sem destino, numa tentativa desesperada em evitar o encontro que se dá infrutiferamente. Pois, me deparo com ele e sigo pela ruela solitária com minhas lágrimas amarguradas em dor.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

O desencontro... A condenação da busca...


Quando na estrada escura, tateei o espaço sem encontrar tua mão e sem amparo para os tropeços da noite cega, chamei teu nome. Sem resposta, sentei à ermo esperando a claridade chegar. Fantasmas me assombravam, mas não temi pela certeza da tua chegada.

A noite passou longa, fria e faminta. Mas, nunca desesperancei a tua busca em mim, porque quando tu estavas perdido no caminho sinuoso, eu estava lá no teu encalço para te apoiar das topadas que te fizeram cair.

Amanheceu e a estrada se fez luminosa, mas te esperei. Não segui adiante, porque esperava tu me alcançares, mesmo ciente da limitação do teu atraso. 

Porém, no entardecer recuei, e saí percorrendo o caminho da volta. Na ânsia em tua busca, me perdi e nunca mais cheguei. Restando, condenada ao eterno desencontro. 

segunda-feira, 15 de junho de 2015


"Normal é a pessoa que simplesmente consegue viver, quaisquer que sejam as circunstâncias, contanto que lhe sejam garantidas as condições mínimas de vida. Mas muitos não o conseguem; por isso não existem muitas pessoas normais. O que comumente entendemos por "homem normal" é, na realidade, o homem ideal, portador de uma feliz mistura de caráter — o que é raríssimo. A grande maioria das pessoas mais ou menos diferenciadas requer condições de vida que lhes garantam algo mais do que simplesmente comer e dormir com relativa segurança. Para essas, o fim de uma relação simbiótica representa um abalo profundo." Jung


sábado, 13 de junho de 2015

A Ausência...



Então, ele me tirou da família
Dos amores possíveis
Do mundo

E, sempre me deixava sozinha
No início eram horas a sua espera
O jantar era sempre sozinha

Aí, preencheu meu vazio
Com um pedaço seu
Pequenino
Que eu cuidava sozinha

Depois, passou a me deixar 
Mais tempo sozinha
Por mais dias

Seu pedaço cresceu 
E, ele reservava poucos dias
Para cuidar dele

No fim, a distância era tão grande
Que eu passei a não esperá-lo mais
Seu pedaço passou a ser inteiro

Um dia, ele nunca mais voltou
Mas, deixou sua metade inteira
Que também, foi deixada

Agora, nem a metade inteira
Lembra mais dele
Porque ele nunca foi presente

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Uma mulher intensa...

Sou intensa e ardente, meu interior não é nada insosso. Está sempre bem temperado de angústias e de sonhos. Ora, sou doce e suave. Mas, não me esprema porque posso me tornar ardida demais.

Quase Pronta


Em meu refúgio quase exilada do tempo
Observo a passagem quase estática 
Aproveito a brisa tépida que leva quase a Primavera
Já se vai quase mais um ano
Do qual quase não senti passar
Mas, estou quase feliz

Corpos enamorados...


Nas ruas e avenidas homens floridos e doces atravessavam apressados aos encontros de suas amadas.

Nos bares e restaurantes casais enamorados borbulhantes brindavam o amor.

A cidade amanhecia colorida como um jardim primaveril.

Permaneceu congestionada pelas mensagens poéticas.

E, anoiteceu perfumada com ares sensuais. 

Hoje braços se entrelaçam, pernas se enroscam e lábios se tocam...

Uma alma atormentada...


“Minh’alma agoniza nos labirintos longínquos da mente perturbada nesse pensar desenfreado que me cansa o espírito. O absurdo vem dessa incessante busca do equilíbrio que não me pertence e me atormenta a cada instante no turbilhão de idéias e pensamentos.‘’


O grito é a libertação de tantos silêncios impostos...



Quantas mulheres são vítimas de violência e, nem se dão conta. É o olhar reprovador, o comentário maldoso, a situação de constrangimento, as grosserias, as cobranças sexuais como obrigação e os afazeres do lar, o ciúme infundado como coação da liberdade... 

É no subterrâneo da violência psicológica que incide o assédio moral, aonde mulheres são indefesas e vulneráveis. Sendo, destituídas da dignidade como indivíduos, apagadas em sua auto-estima e sufocada pelas ameaças.

E, preocupadas com a família, se calam, amargurando culpas absurdas impostas pelos seus algozes. Mas, essa violência se estende aos filhos, adoecendo-os psicologicamente. Portanto, o homicídio ou a surra é o último estágio de uma violência contumaz velada, embotada e contínua que paralisa as vitimas. 

Assim, seguem solitárias em seus sentimentos abrindo mão de seus desejos, objetivos e planos individuais, em troca da ilusória condição do esteio familiar.

domingo, 7 de junho de 2015

Então, ele se nutriu de mim
Tirou-me a juventude
Levou-me o afeto
Sugou-me o amor 
Deixando-me vazia


Ira...


"Um é levado a destruir o outro por um ligeiro ganho, ninguém obtém lucro senão com o dano de outrem, odeiam quem é feliz, desprezam o infeliz, não suportam alguém superior, oprimem o inferior, são incitados por desejos diversos, querem que tudo se arrase em troca de um leve prazer ou espólio. Sua vida não é diferente da dos que convivem e lutam com os mesmos parceiros numa escola de gladiadores. É esse um agrupamento de feras, com a diferença de que elas são mansas entre si e se abstém de morder seus semelhantes, já eles são saciados pela mútua laceração. Somente nisto diferem dos animais: no fato de que estes se tornam mansos com quem os alimenta, e a raiva dos homens devora exatamente quem os nutriu." (Séneca, in "Sobre a Ira")



sexta-feira, 22 de maio de 2015

De repente a vida começa a dar errado...

Àquela felicidade começa a se esvair como uma hemorragia
Sem ter meios de estancar, secando os corações
No desespero, brota a ira da revolta levando o amor
Aí, a união se desune pelo afeto derramado
E, então a vida dá errado... 


quinta-feira, 21 de maio de 2015

Alma...


"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que se não sente bem onde está, que tem saudades... sei lá de quê!" Florbela Espanca

Nem na pobreza, nem na tristeza... Somente na riqueza e na alegria.

"Há sempre algo de ausente que me atormenta". Camille Claudel



São quinze minutos para às duas horas da tarde, mal chega a hora da consulta e Roberto está a minha espera ansioso, com um olhar angustiado de olhos vermelhos e inchados, provavelmente de chorar. Cumprimento-o e sento-me à poltrona, nem há tempo de abrir o bloco para anotações vem a enxurrada de reclamações e acusações contra a mulher que o abandonara depois de quinze anos de casamento.

Roberto era um empresário bem sucedido que não somente amargava uma falência econômica, mas também a conjugal. Aos cinquenta anos de idade, com dois filhos, se encontrava falido e abandonado por quem menos esperava, Carla, a mulher que amava e quem construíra uma família. Nestes moldes, eu era consultada para preparar sua defesa no divórcio. 

Uma empatia me abateu e me senti no lugar de Roberto, apesar ter passado por momento semelhante num passado quase que distante, mas ainda presente em sentimentos. Pois, quando estava casada vivi a mesma situação da falência do meu marido e amargamos momentos difíceis, mas jamais o abandonei. No entanto, Carla não suportou as dificuldades prementes e seu afeto esvaiu.

Mesmo assim, Roberto ainda a amava e estava disposto a aceitá-la de volta. Muito embora, ela estava decidida quanto ao divórcio e provavelmente, não retornaria por conta de um possível envolvimento extraconjugal. 

Imaginei o fracasso que se abatera à Roberto, com a perda de sua dignidade e da família repartida pela limitação de Carla em não suportar àquela situação. Logo, me lembrei de outro caso semelhante, em que a mulher havia abandonado o marido por conta do alcoolismo. Neste caso, a mulher mantinha casos extraconjugais, inclusive com homens casados e não hesitou em terminar seu casamento de anos, com três filhos, para se livrar dos problemas e da enfermidade do marido que se desencadeou durante a descoberta da sua infidelidade. 

Encerrada a consulta, me abateu uma tristeza por conta das minhas lembranças, dos anos que compartilhei todas as crises do meu relacionamento, do meu atraso profissional por me dedicar ao casamento e principalmente, da minha lealdade não reconhecida. Já que, quando nos estabilizamos dos problemas financeiros fui abandonada por uma amante bem estabelecida economicamente.

Aturdida peguei um táxi e não consegui me conter das lágrimas jorradas sem controle, quando o taxista aparentando uns trinta anos indagou se eu estava bem ou precisava de ajuda. Com a voz embargada respondi com dificuldade que estava tudo bem sim, e era apenas 'dor de cotovelo'. Mas, que depressa veio o comentário empírico: - Que loucura... !

Desci perto de casa e caminhei com a minha dor que segue sem passar, como um fantasma a me assombrar quando me deparo com situações em que a ingratidão e a deslealdade se tornaram lugar comum, destruindo o afeto.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Quando a dor é insuportável o sofrimento pede libertação...


Há memórias que precisam ser esquecidas porque senão a mente adoece a tal pouco de enlouquecer. Enlouquecendo porque o sofrimento é tão agudo a ponto de não suportar mais a dor pungente. Aí, posso me jogar do nono andar para me libertar. Há também, memórias que não são apagadas e ficam acumuladas no interior enlouquecendo as células a se reproduzirem desordenadamente a procura de libertação. Não enlouqueci, mas o abismo interno se abre em mim. Assim, são as dores incuráveis que se perdem pelo sofrimento infinito. 

Não há felicidade que dure se alimentando do mal...

"A felicidade é só estar em paz consigo mesmo, olharmos para nós e recordar que não fizemos muito mal aos outros." José Saramago



Era inconcebível àquilo que me fizeram. Sem direito à defesa, tramaram pelas minhas costas o golpe certeiro. Não satisfeitos, em me ferir gravemente, ainda se justificaram através da covardia caluniosa e difamatória. 

Enquanto, eu absorta, diante de tanta crueldade, ainda indagava,  por quê ? O que eu teria feito para ser punida desse jeito ? 

À ela, absolutamente nada. Nem a conhecia. Mas, não importava. Ela era cúmplice dele. E, ele era a pessoa que mais me conhecia e que compartilhava da minha vida. Então, por que ele me odiava tanto ?

Talvez, porque sua essência sempre foi usar e abusar dos meus sentimentos até sugar à última gota. Daí, quando se viu entediado sem mais nada para me retirar foi buscar em outras fontes energia para se bastar. 

Tamanha é sua insatisfação por não conseguir vínculos que se vingou de mim por não saber amar. Provavelmente, segue em seu vazio que jamais será preenchido.

Minhas perguntas seguiram sem respostas. Nada justificava tamanha crueldade. As feridas ainda sangram, mas sobrevivi por teimosia. Enquanto eles, se alimentam das mentiras inventadas. Mas, há uma nova questão: - Como serão felizes depois de todo mal que me fizeram ?

Certamente, a felicidade jamais poderá acontecer se há fantasmas à lhes assombrar. Pois, o mal sempre cobra seus débitos.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Sozinha, apenas acompanhada da Solidão...

Fui sozinha ao médico sem você. 
Saí sozinha, sem você a me esperar. 
Caminhei por horas sozinha, sem você para me guiar.
Chorei sozinha, com meu medo sem você.



Estou sozinha, sem saber se vai doer. 
Ficarei sozinha, sem certeza de viver. 
Sou sozinha, sem você.
Pois, sozinha tenho apenas solidão.

domingo, 5 de abril de 2015

Angústia e Liberdade...

“... é na angústia que o homem toma consciência de sua liberdade, ou, se se prefere, a angústia é o modo de ser da liberdade como consciência de ser; é na angústia que a liberdade está em ser colocando-se a si mesma em questão.” Jean-Paul Sartre em O Ser e o Nada




Se tenho na angústia a liberdade. Talvez, seja o temor de estar livre das amarras que me impedem de seguir adiante, para além dos limites. Basta dar impulso para se lançar ao inesperado e ter a coragem romper com a prisão que me fixa inerte. 

A implacável angústia de não ter mais a quem esperar ao anoitecer, sem o precisar das horas na expectativa da chegada é que me assusta. O medo da solidão, que nada mais é bastar-se de mim mesma. Mas, ao mesmo tempo a falta da ansiedade sofrida pelos atrasos, ou, as falsas desculpas para ausência da chegada é que me liberta.

O vazio saudoso não mais preenchido pela chegada de alguém a compartilhar a vida me angustia. Porém, a brisa morna ao caminhar vagarosamente sem destino e prazo marcado para espera me toma de uma regojizante sensação de liberdade. 

Não ter mais a quem dar satisfações de todos os meus passos, desejos e pensamentos, apesar de angustiante me liberta. Pois, agora posso ser autora das minhas escolhas, sem os compromissos emocionais que me tolhiam em transcender. 

Tantas companhias, como a literatura e arte, já me bastam. Mesmo que a solidão me angustie haverá a liberdade das escolhas de querer estar com alguém contingente ou comigo mesma.  

Levaram meu Outono... Deixaram meu Abril vazio.

Do meu florido jardim que emanava beleza, perfumando os ares, atraindo borboletas e colibris, restou apenas a visita de mariposas em busca dos cadáveres florais.


Março fechava seu ciclo iniciando uma nova estação, meu pequeno jardim, embora intensamente florido começava a despontar a tristeza, como se solidarizasse com minha solidão. 

A chuva batendo forte na varanda ia lavando brotos e botões impedidos de florescer, juntamente com minhas lembranças de outros outonos. Em que, a estação se mantinha forte sem desfolhar-se.

Gotas grossas batucavam agudamente em meu peito àquele abril. Porém, nem todos os outonos foram tão sofridos como os de agora.

Meus outonos de outrora eram alegres e sempre floresciam com a chegada de abris em brindes esfuziantes. Havia o amor compartilhado, mesmo que às vezes enciumado da quantidade de abraços e beijos distribuídos com o apagar das velas que se somavam à cada ano.

Agora, eu me misturava em prantos com a chuva do meu outono roubado que levaram meus momentos. Restando então, a melancolia latente de alguém de vivia meus sonhos. 

Meu abril não resplandecia mais, as flores do meu jardim murchavam sem vida e eu já não rejuvenescia mais. Apenas, amargava o envelhecimento a cada outono.

Parecia mentira, mas meus outonos desde então são floridos para quem me tirou quase tudo deixando somente o meu abril em frangalhos.

terça-feira, 3 de março de 2015

O hiato de afeto...

"A voz empostada ao meu pedido de ajuda, fez-me sentir mais ainda desamparada. Todas solicitações são adiadas ou disfarçadas em negativas, não há mais receptividade em meus apelos, nem mesmo empatia. Sou uma estranha que incomoda. Onde foi parar o afeto que outrora me alimentava ?" 


Os dias passam... Mas, já são anos. Estou estagnada, sem forças ou energia. A luz do dia me cobra atitudes, das quais me torturam. Somente a escuridão da noite me acalanta, pois a cidade dorme e sou esquecida. 

O esquecimento é a minha imanência, donde agonizo em meu desamparo. A solidão me compraz em lembranças remotas de um tempo longínquo, aonde me furtam a vida. 

Tempo e espaço se confundem entre prantos e desassossegos batucando impiedosamente em meu exílio emocional. Sem que algo possa cessar o turbilhão de pensamentos desconexos a me enlouquecer.

A minha dor é solitária, mas por vezes teima em pedir socorro. Se não for entendida, entedia quem ignora o que seja este sofrimento que arde no âmago sem trégua.

Não há saída do abismo, cujo aprisionamento é infinito... Eu não morri, mas estou morta. 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

O Amor que se nega...

"Apesar de tudo, o amor era menos simples do que ele julgava. Era mais forte do que o tempo. O amor, no fim das contas, era feito de inquietações, de renúncias, de pequenas tristezas que surgiam a todo instante." Simone de Beauvoir



Se para ele existia a dúvida do meu amor porque não fui afeita à servidão, para mim a certeza do amor vinha da liberdade. Pois, respeitar a individualidade sempre me foi o correto, mesmo que houvesse renúncia na convivência diária. Jamais, tentei amarrá-lo às obrigações de fidelidade impostas pelo modelo comum de relacionamento. O que me valia para o amor era a certeza do afeto e a cumplicidade da vida em comum. 

No entanto, em sua insegurança contumaz, ele me sufocava com suas incessantes desconfianças que culminavam em ciúmes desmedidos. As cobranças da alcova sem romance, para preencher sua ansiedade me remetiam ao papel de objeto, com se fosse obrigação de um serviço a ser prestado. Bastava que fosse carinhoso, terno e me afagasse a face, como antes. Mas, ele assumiu um posto tirânico, numa disputa de poder sem que eu estivesse disposta a ceder tal subordinação.

Em estado de opressão, sublimei meu desejo em represália ao descaso dos mimos e das gentilezas, a mim negados. Porém, me mantive leal ao vínculo que por vezes, até imaginei desistir. Sempre na esperança do resgate de afeto na completude futura. 

Imaginava um dia ter a segurança da estabilidade e o reconhecimento como indivíduo na proporção de igualdade. Em que, as todas as renúncias, dificuldades e crises se acalmariam para vivermos um grande amor. Um amor, que tantas vezes me foi subtraído pelas aventuras de casos contingentes.

Não foi esse o desfecho imaginado, pois na sua angústia em subjugar sentimentos e refratário ao afeto, conseguiu quem não lhe questionasse as deficiências. E assim, sem qualquer comprometimento com a dedicação dos meus anos doados se foi, sem cerimônia, deixando-me sem satisfação.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

A MulherTriste...

Sou uma Mulher triste
Que chora as perdas 
Em ausências 

Sou uma triste Mulher
Que chora as ausências
Em vazios

Sou a triste Mulher, triste.


Que vive o passado das lembranças
De uma Mulher alegre.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Estar só... Na companhia de si mesma.

“Que minha solidão me sirva de companhia. que eu tenha a coragem de me enfrentar. que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo.” Clarice Lispector



Os filhos já estavam criados e formavam suas famílias e na minha situação de mulher sozinha, me cabia, além das obrigações rotineiras de sobrevivência, estar solitária com meus pensamentos. Os tempos eram difíceis, eis que não havia mais a divisão de tarefas e, tampouco a aliança de solidariedade como antes. 

Minha vida, embora limitada de prazeres por conta do orçamento apertado, ainda existia livros na estante a serem descobertos, filmes para assistir ou rever e também, havia a música que preenchia meus vazios e me fazia reviver momentos do passado. 

Por várias vezes, meu lazer se rendeu as exposições, palestras e seminários gratuitos. Em épocas festivas de feriados, me restava a solidão doméstica e hoje preparei uma sopa com os poucos ingredientes que sobraram da última compra, mas a apreciei com gratidão de poder me alimentar dignamente. 

Não são raras, as mulheres que como eu vivenciam a solidão, pois criaram seus filhos, dedicaram-se à um casamento na plenitude de seus melhores anos da juventude, enfrentando as vicissitudes de momentos em crise, abdicando da profissão com afinco, se separam e depois a família toma novos rumos. 

Viver é uma eterna descoberta e enfrentamento de crises, ora passageiras, ora permanentes... Mas, apesar de tudo, me admiro por minha autonomia emocional, de viver me adaptando a nova realidade. E, acima de tudo, me completar com a minha própria solidão.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A Solidão...


Eu vou mal e irei pior ainda, mas aprendo pouco a pouco a ser só, e isso já é alguma coisa, uma vantagem, um pequeno triunfo.” Frida Kahlo


Sobreviver é o preço que se paga pelas perdas...

"Não mais me deitar no feno perfumado ou deslizar na neve deserta.
Onde eu exatamente me encontro?
O que me surpreende é a impressão de não ter envelhecido, embora eu esteja instalada na velhice.
O tempo é irrealizável.
Provisoriamente o tempo parou para mim.
Provisoriamente.
Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro.
O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar.
Portanto, ao meu passado, eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minha necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo.
Hoje, que espaço o meu passado deixa para a minha liberdade hoje? Não sou escrava dele. Não sou escrava dele.
O que eu sempre quis foi comunicar unicamente da maneira mais direta o sabor da minha vida. Unicamente o sabor da minha vida.
Acredito que eu consegui fazê-lo.
Vivi num mundo de homens, guardando em mim o melhor da minha feminilidade.
Não desejei e nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos." Simone de Beauvoir 


Numa etapa de um tempo, que reserva experiências vividas e novas descobertas a serem vividas, adentro no período da velhice física. É a época da menopausa, em que meu corpo se transforma chegando à maturidade. Da mesma forma, que adentrei na adolescência no passado quando menstruei. 

São transformações inquietantes, se antes estava pronta para gerar vida, agora já não posso mais e meu útero se reserva a solidão perpétua, como se fosse um corpo estranho dentro do meu corpo.

Da mesma forma que minha fertilidade fica no passado, meus relacionamentos também ficam. Chego a nova era inteira e sem apêndices, talvez pronta para amar novamente, ou apenas livre como nunca estive.

Enfrentar a liberdade assim, tão presente quando jamais era esperada em tal etapa assusta. Eis que, esperava viver os tempos passivos na maturidade, mas os vivi antes e agora me resta a reconstrução para plenitude.

Tive muitas perdas consideráveis, como um longo casamento interrompido ao passo da maturidade por imaturidade, assim como o falecimento de pessoas queridas, umas nem chegaram a maturidade e outras se foram além da maturidade. 

Como sempre o alvorecer de mais um dia é a certeza do presente a ser vivido, então deixo ao passado somente as lembranças. Reservando-as para complementar meus arquivos emocionais, cujas experiências são reveladoras para me reinventar. Pois, sobreviver é o preço que se paga pelas perdas vividas.