... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A perda de tudo...

"A dor psíquica é dor de separação, sim, quando a separação é erradicação e perda de um objeto ao qual estamos tão intimamente ligados – a pessoa amada, uma coisa material, um valor ou a integridade do nosso corpo – que esse laço é constitutivo de nos próprios." J-D. Nasio in O livro da dor e do amor



Num sofrimento tão doloroso que transformou o luto na melancolia contumaz, a depressão maior a fez insone por noites aos prantos, dias paralisada no leito, sem banhar-se e muito menos sem apetite, definhara. 

Em meses numa apatia catatônica toda solidão a devorava, da dor mais aguda da alma a dor crônica psíquica paralisando todas as atividades mais simples até perder-se de si.

Absolutamente dependente, tornara-se escrava numa senzala emocional quase sub-humana. Não havia mais dignidade, sendo obrigada a se ajoelhar catando as migalhas lançadas ao chão feito um animal acuado. As chicotadas lançadas pelas costas dilaceravam a alma tão castigada.   

Todas as circunstâncias traumáticas, causadas pelo abandono e desamparo se estenderam por anos. Os laços afetivos negados levou-a ao transtorno psíquico. 

Cegueira de sentimentos...


“Pareceu ao médico que ouvia chorar, um som quase inaudível, como só pode ser o de umas lágrimas que vão deslizando lentamente até às comissuras da boca e aí se somem para recomeçarem o ciclo eterno das inexplicáveis dores e alegrias humanas.” José Saramago in Ensaio sobre a cegueira



Ausência do Pai...

“Sendo o Nome-do-Pai o significante que permite ao sujeito entrar na linguagem e aí articular sua cadeia de significantes, a não inscrição desse significante no Outro acarreta aquilo que é  para Lacan a marca essencial da psicose: os distúrbios de linguagem e, em particular: a alucinação” Quinet


Bernardo estava em plena adolescência quando ocorreu a separação de seus pais. Com o afastamento paterno passou a somatizar os sentimentos de abandono e, consequentemente veio as doenças psicossomáticas. 

Com a ausência paterna para compartilhar seus sentimentos, sua fase de transformação, passou a se sentir menos importante e rejeitado. Como forma de defesa acabou se tornando introspectivo e desistindo em procurar pelo amor paterno. 

Tamanha era a importância da presença paterna para Bernardo, cuja substituição do Pai como figura masculina se deu pelos amigos. Descobrindo o alívio da angústia pelos escapes efêmeros do álcool. 

O ponto crucial para o limite de um surto psicótico fora um episódio traumático, diante da perda paterna revivida no velório de um parente. Do qual o sofrimento profundo pelo abandono o fez explodir em cólera. 

Entretanto, foi através da psicanálise que Bernardo tem tratado sua depressão reativa. E, vem aprendendo que a felicidade se dá com a convivência das pessoas que o amam.   

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

sábado, 24 de agosto de 2013

A insegurança das relações...


“Investir no relacionamento é inseguro e tende a continuar sendo, mesmo que você deseje o contrário: é uma dor de cabeça, não um remédio. Na medida em que os relacionamentos são vistos como investimentos, como garantias de segurança e solução de seus problemas, eles parecem um jogo de cara-ou-coroa. A solidão produz insegurança — mas o relacionamento não parece fazer outra coisa. Numa relação, você pode sentir-se tão inseguro quanto sem ela, ou até pior. Só mudam os nomes que você dá à ansiedade.”

Zygmunt Bauman in Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. 

"Na angústia o sujeito é afetado pelo desejo do Outro"...

  

"A angústia surge do momento em que o sujeito está suspenso entre um tempo em que ele não sabe mais onde está, em direção a um tempo onde ele será alguma coisa na qual jamais se poderá reencontrar." Jacques Lacan


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Saiba algumas das características dos psicopatas, além da ausência de culpa ou remorso...




Nas relações interpessoais os psicopatas que são possuidores de uma boa oratória e charme, são simpáticos e conquistadores num primeiro momento. Sua autoestima é exagerada, por isso se acham melhores que os outros. Mentem principalmente para conseguir benefícios ou justificar suas condutas, tratando-se de mentirosos patológicos. Como seu comportamento é manipulador e se for inteligente então, dificilmente esse comportamento são percebido pelos outros.

Nas relações afetivas, não sentem remorso ou culpa, portanto nos seus relacionamentos são frios e calculistas. Porém, conseguem simular sentimentos se for necessário. Entretanto, não sentem empatia e são indiferentes, podendo até manifestar crueldade. Dissimulados, têm uma incapacidade patológica para assumir responsabilidade pelos seus atos, eis que não aceitam os seus erros. Assim como, raramente procuram ajuda psicológica, porque o problema é sempre dos outros.

No estilo de vida, necessitam de estímulo constante, daí ficarem aborrecidos facilmente. Levam a vida no sentido parasitário, agem descontroladamente, não têm metas a longo prazo. Por isso, vivem como nômades, sem direção. Extravagantes se comportam impulsivamente. Suas ações são recorrentes, mesmo que não premeditadas. Contudo, são incapazes de compreender as consequências de suas ações porque são irresponsáveis.

Diante do comportamento antissocial, tendem a delinquência na juventude e apresentam desde a infância problemas de conduta. Propensos a ilegalidade, eles têm versatilidade para o crime, principalmente através de golpes e delitos que requerem a manipulação de outros.

Por conseguinte, como não suportam vínculos, tendem a uma vida sexual promíscua, com vários relacionamentos ao mesmo tempo, ainda que sejam breves. E, como exibicionistas gostam de expor suas conquistas e proezas sexuais. 

O Transtorno do Esgotamento Profissional - Síndrome de Burnout


Síndrome de Burnout, trata-se de esgotamento profissional, considerado um distúrbio psíquico. Caracteriza-se principalmente pelo estado de tensão emocional e estresse crônicos decorrentes das condições desgastantes de trabalho, sejam físicas, emocionais e psicológicas. 

Assim, como a predominância se manifesta em profissões que exigem envolvimento interpessoal direto,  tais como: profissionais das áreas de educação, saúde, assistência social, recursos humanos, agentes penitenciários, bombeiros, policiais; torna-se mais intenso o transtorno em mulheres que enfrentam dupla jornada



Os principais sintomas do Quadro Clínico da Síndrome de Burnout, são:

1. Esgotamento emocional, com diminuição e perda de recursos emocionais;

2. Despersonalização ou desumanização, que consiste no desenvolvimento de atitudes negativas, de insensibilidade ou de cinismo para com outras pessoas no trabalho ou no serviço prestado;

3. Sintomas físicos de estresse, tais como cansaço e mal estar geral;

4. Manifestações emocionais do tipo: falta de realização pessoal, tendências a avaliar o próprio trabalho de forma negativa, vivências de insuficiência profissional, sentimentos de vazio, esgotamento, fracasso, impotência, baixa autoestima;

5. É freqüente irritabilidade, inquietude, dificuldade para a concentração, baixa tolerância à frustração, comportamento paranóides e/ou agressivos para com os clientes, companheiros e para com a própria família;

6. Manifestações físicas: Como qualquer tipo de estresse, a Síndrome de Burnout pode resultar em Transtornos Psicossomáticos. Estes, normalmente se referem à fadiga crônica, freqüentes dores de cabeça, problemas com o sono, úlceras digestivas, hipertensão arterial, taquiarritmias, e outras desordens gastrintestinais, perda de peso, dores musculares e de coluna, alergias, etc;


7. Manifestações comportamentais: probabilidade de condutas aditivas e evitativas, consumo aumentado de café, álcool, fármacos e drogas ilegais, absenteísmo, baixo rendimento pessoal, distanciamento afetivo dos clientes e companheiros como forma de proteção do ego, aborrecimento constante, atitude cínica, impaciência e irritabilidade, sentimento de onipotência, desorientação, incapacidade de concentração, sentimentos depressivos, freqüentes conflitos interpessoais no ambiente de trabalho e dentro da própria família;


São quatro as principais fases de manifestação do trastorno:


1ª - Falta de vontade, animo ou prazer de ir a trabalhar. Dores nas costas, pescoço e coluna;

2ª - Começa a deteriorar o relacionamento com outros. Pode haver uma sensação de perseguição, aumenta o absenteísmo e a rotatividade de empregos;

3ª - Diminuição notável da capacidade ocupacional. Podem começar a aparecer doenças psicossomáticas, como: alergias, psoríase  picos de hipertensão, dentre outras. Inicia-se a auto-medicação, e também um aumento da ingestão alcoólica;

4ª - Esta etapa caracteriza-se pelo alcoolismo, drogas, ideias ou tentativas de suicídio, bem como o surgimento de enfermidades mais graves, desde neoplasia (câncer) até a acidentes cardiovasculares (AVC). 

domingo, 11 de agosto de 2013

AMOR, FLEXIBILIDADE e PERDÃO

Apenas quem é capaz de atentar para os próprios erros, antes de julgar os alheios, também está apto a amar com toda a potência, grandeza e generosidade. O sujeito amoroso e maduro consegue perdoar as falhas dos outros e aceitar suas imperfeições, escapando à rigidez egóica daqueles que, inflexíveis, criticam os tropeços de outrem, sem perceber os próprios deslizes ou olhar para os próprios defeitos. Se não existissem sujeitos capazes de perdoar e amar com generosidade, ninguém mais acreditaria, ninguém jamais confiaria ou amaria, já que todos os seres humanos erram e tropeçam muitas vezes durante a trajetória vital.

Quem consegue perdoar também é capaz de amar com grandeza, aceitando a imperfeição do outro e priorizando suas qualidades e virtudes, o que só é possível a partir do reconhecimento da própria incompletude, ou seja, ao desfazer-se de um ego rígido e idealizado que impede o sujeito de ver ou ir mais além. Quem é incapaz de perdoar quase sempre é aquele que, com a visão embotada pelo excessivo orgulho, se esquece de quantas vezes foi perdoado, valorizado e amado, apesar de seus próprios erros e fracassos... 

Portanto, apenas o sujeito capaz de perdoar e aceitar a própria incompletude e também a do outro está capacitado para amar com maturidade, apto a cultivar amores e vínculos duradouros, sem o empecilho do excessivo narcisismo ou da inflexibilidade do ego, às vezes erroneamente confundidos com força.

Ana Luisa Kaminski in Reflexões da Psicanálise

Uma certa autoridade...


"...na maioria dos seres humanos, tanto hoje como nos tempos primitivos, a necessidade de se apoiar numa autoridade de qualquer espécie é tão imperativa que seu mundo desmorona se essa autoridade é ameaçada"  Freud

A verdade aparece para quem pode vê-la...

" É preciso ser realista para descobrir a verdade. É preciso ser romântico para criá-la. " Fernando Pessoa 



Mesmo, nos encontros e desencontros da vida, a verdade ali está a nos espreitar. Não adianta fugir, a verdade aparece, mas é preciso reconhecê-la. Talvez, a realidade seja dura demais para que a enxerguemos. Assim, os cegos voluntários se escondem por trás da venda por covardia. Mas, há quem não a tema. 

Surpreendentemente, nos deparamos de onde menos esperamos as revelações da verdade, tantas vezes negada e escondida. Informações são passadas, sem que ao menos os interlocutores desconfie nossa curiosidade. 

Por mais que o personagem da tragédia não queira ver a verdade, seja por ingenuidade ou ignorância, a mentira é efêmera e se desnuda. Mas, a dor da verdade, nem sempre pode ser aceita pelos delirantes da fantasia soberba.

sábado, 10 de agosto de 2013

Que o passado seja breve... O futuro longo... E, o presente eterno !

"O passado, ainda que triste, não necessariamente tem que ser penoso, e muito menos tem que transformar o autor da sua história em um futuro perdedor. Desbrave sua própria vida !" (Wally Martins)


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Os incapacitados de amar...

"Nem todos são capazes de exercitar o amor e a compaixão. Narcisistas exacerbados, egoístas, individualistas podem até 'encenar', mas na vida prática, no cotidiano, apenas revelam sua frieza diante da dor, do desamparo ou da fragilidade do Outro..." Ana Luisa Kaminski in Reflexões da Psicanálise



Eram anos de compartilhamento de tantos momentos e emoções, dos quais Andrea se encontrava totalmente desnuda, diante do seu companheiro. Perfeitamente normal, quando nos unimos ao outro por amor, cujas cumplicidades vão desde as alegrias até a solidariedade nas agruras da vida. Se não fosse, o rancor revelado na frieza e na indiferença de Paulo, perante o descaso com a companheira abandonada.

Embora, Andrea adoecesse de tristeza por conta da separação. Paulo não sentia o menor remorso, nem tampouco se sensibilizava com o estado de degradação emocional da ex-companheira. Que em sua ingenuidade cega pelo amor não correspondido, ainda tecia bons sentimentos por ele. 

Incapaz de sentir a dor do outro, Paulo somente pensava em si, demonstrando sua total impossibilidade de amar. Um verdadeiro narcisista incorrigível colecionava fracassos emocionais, sem que ao menos sentisse uma gota de culpa.  


terça-feira, 6 de agosto de 2013

ANGÚSTIA de todo dia...

"A angústia tem inegável relação com a expectativa: é angústia por algo” 
Freud in Inibições, Sintomas e Ansiedade


"A angústia é um afeto... A angústia não é a dúvida, a angústia é a causa da dúvida
Lacan in O Seminário X – A Angústia



Seja pelo trauma do nascimento, eis que meu parto foi demasiadamente difícil como explicitou Mamãe, em que quase cheguei ao óbito. Talvez, eu não estivesse preparada para sair do conforto afetivo do ventre que me acolhia. 

Ou, ainda, seja pela ausência do seio materno, ao qual neguei em tenra existência por medo da comprovada falta a posteriori

Ou, então, a dificuldade em lidar com a separação do conflito edipiano. Assim, a angústia se fez eternamente presente, diante do meu temor em faltar afeto. E, é nessa busca incessante de afeto, que vivi sempre o desejo do Outro. 

Logo, barrada em minhas próprias escolhas, sobrevivo da dúvida se há afeto do Outro por mim. 

domingo, 4 de agosto de 2013

Nunca estamos seguros quanto a estabilidade...


De repente, a vida estava num bom capítulo. Chegando ao ápice do sucesso profissional, depois dos filhos criados, com o caçula a passos dados para entrar na universidade e o casamento estável. A maturidade aflorava com a tranquilidade desejada, diante de tantos anos de dificuldades.

Finalmente, viria a tão sonhada estabilidade financeira com possibilidade de realizar planos adiados da casa própria, das viagens, da troca de carro e quem sabe até mudança para o campo. Bastava esperar mais um pouco e viveríamos sem sobressaltos financeiros.

Minha saúde estava sobre controle de um susto passado, cuja cicatriz já se tornara parte sensual de meu seio. Talvez, na certeza de escapar vitoriosa da morte. Valeu a pena lutar, agora estava livre do fantasma.

Todavia, não contava com o imprevisto da deslealdade do meu companheiro, quando sua amante começara a se fazer tão presente quanto descoberta. Na minha ingenuidade da suporta segurança afetiva, não vi os sinais das mensagens infiéis. Até que a guerra foi declarada, com a campanha apócrifa dos meus princípios morais, se aproximando das pessoas do meu meio social, plantando mentiras ao meu respeito e publicando seu caso com o homem de tantos anos da minha vida.

Assim, por mais que ele negasse, sua amante o desmentia e provara sua presença em nossas vidas, revelando nossas intimidades e ciente de todas as minhas dificuldades e problemas enfrentados na vida.

   

A limitação da razão se esvai para o inconsciente....


“Uma neurose é sinal de acúmulo de energia no inconsciente, ao ponto de ser uma carga capaz de explodir”  Jung



Nem sempre quem procura acha... Talvez perca.

"A arte de perder não é nenhum mistério
tantas coisas contém em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouco a cada dia. Aceite austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah ! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes."

Uma Arte de Elizabeth Bishop 



Foram tantas perdas acumuladas, cujo vazio restante jamais pôde ser preenchido novamente. A cada perda abria-se uma ferida em que a pouca felicidade que restava se esvaia. Quando se cicatrizava, outra perda vinha provocando uma hemorragia dos sentimentos.

Na intensidade da paixão almejada perdera a liberdade. Tornando-se uma escrava agrilhoada pela subordinação da validade de sentimentos.

Na busca frenética pela felicidade abstrata perdera tempo demais com o amor, nunca correspondido. Do qual sugara todas as suas forças.

A perda do amor negado, a fizera se ajoelhar e mendigar migalhas de sentimentos descartados.

Tudo foi perdido, não lhe restando nada.

Assim Clara, que não era talentosa em lidar com suas perdas e em decorrência das enxurradas de perdas fora definhando até perder-se de si mesma.