... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

sábado, 2 de novembro de 2013

Violência de onde menos esperamos...

"O instinto de amar um objeto demanda a destreza em obtê-lo, e se uma pessoa pensar que não consegue controlar o objeto e se sentir ameaçado por ele, ela age contra ele." Sigmund Freud 



"Onde acaba o amor têm início o poder, a violência e o terror." Carl Gustav Jung


Uma das violências mais comuns e veladas que geram danos emocionais é a violência doméstica. A qual incluem desde a física, sexual, psicológica, moral e patrimonial. 

Júlia apesar de muitos anos casada não se deu conta de todas as violências sofridas, até ser abandonada pelo marido por uma amante, em que também foi cúmplice e conivente de alguns crimes. Muito embora, essas mulheres, conhecidas como amantes, que se envolvem com homens casados tenham a casada, como inimiga, esquecem que também, poderão ser vítimas da mesma violência. 

Contudo, são raríssimos os casos de sucesso nesses relacionamento provindos da infidelidade conjugal. Eis que, tanto esses homens infiéis inconscientemente não creem na lealdade das amantes, como as amantes sempre desconfiarão da fidelidade desses homens, cuja mulher casada fora vítima. 

Neste caso específico, Júlia sempre se manteve fiel e leal ao marido, apesar de constantemente sofrer desconfianças por parte do marido. Aliás, não foi à toa toda a obsessão de ciúmes por parte do parceiro, já que o mesmo sempre a foi infiel e portanto, julgava ser traído também. 

Das violências causadas à Júlia, as sequelas foram devastadoras, a levando à depressão como uma das mais graves, além de outros tantos distúrbios emocionais que a impediram de trabalhar e levar uma vida normal dentro dos padrões sociais. 

Uma das piores violências sofridas para Júlia, antes do rompimento, era a cobrança sistemática de sexo. Não se tratava no caso de uma cobrança normal, muito pelo contrário, esta violência em subjugar a mulher eram desde a frequência exagerada às fantasias de parafilias. 

Considerando, que a violência sexual significa obrigar a vítima a praticar ato sexual sem vontade; como presenciar ou a participar de relação sexual indesejada. Bem como, o agressor se negar ao uso de preservativos. Sendo, esta imposição através de ameaça, chantagem ou manipulação. Júlia sofreu tal violência, sendo ameaçada pela separação, chantageada emocionalmente pela manipulação psicológica por seu marido que além, da grosseria impingida afirmava que iria buscar sexo com outra. 

Assim, Júlia temendo a separação por conta de tais ameaças, aceitava sofrer a violência sexual que incluía atos indesejados. Se prostituindo praticamente com o marido para evitar brigas.  

A violência doméstica não restou somente à sexual, como ainda foi vítima de larga violência psicológica sofrendo desde as atitudes que atingiam sua auto-estima por comentários maldosos de sua aparência. Perseguições e desconfianças infundadas por sua atividade profissional. Injúrias de que a mesma era mentirosa ou acusações de que falava meias-verdades, sempre induzindo que Júlia lhe escondia algo. Além, de humilhações e isolamento quando o marido não a convidava para seus eventos sociais. Inclusive, desconhecendo seus relacionamentos de amizade.

Com a traição do marido, que não ficou na esfera da infidelidade, ultrapassando também a deslealdade com desrespeito ao relacionamento duradouro e familiar, Julia foi vítima da violência patrimonial. Sendo, obrigada por vezes a dispor de suas economias para o marido, recebendo como pagamento cheques sem fundos. Bem como, ter muitas privações econômicas na maior parte dos anos de casamento, como durante e após a separação o marido gastar em viagens constantes com a outra, sem ter proporcionado a mulher tais lazeres, adquirir negócios comerciais, automóvel e apartamento sem prestar contas a mesma.

Dentre todas as violências submetidas, Júlia ainda, foi humilhada e desrespeitada em rede social na internet, com ligações telefônicas pela amante que mantinha um caso com seu marido que foi conivente. Bem como, difamá-la perante conhecidos no âmbito social pela amante e pelo marido. E, ainda aos familiares e filhos. 

A mais evidente de todas violências sofridas, cujo dano emocional gerou depressão, síndrome do pânico e impossibilidade de exercer suas atividades foi o assédio moral praticado por ambos à Júlia. Levando-a tratar-se com psiquiatra e tratamento medicamentoso. 

Desta forma, podemos evidenciar que o silêncio de Júlia e a aceitação dos maus-tratos sofridos, incluindo uma terceira pessoa foi tão desgastante e lesivo que a levou desde a doença de depressão grave a prejuízos financeiros, causando uma baixa considerável em sua situação sócio-econômica. O que talvez, fosse evitado se Júlia tivesse optado desde o início do relacionamento pela separação enquanto era jovem e teria mais facilidade de se recuperar.