... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Depressão...

Preocupante e considerada uma doença que acarreta uma percentagem significativa de afastamento laborativo, assim como de forma grave pode chegar até ao suicídio, trata-se de uma questão de Saúde Pública. Portanto, requer tratamento incluindo psicofármacos.


Depressão x Tristeza e Luto
Por: Dra. Salma Rose Imanari Ribeiz

Atualmente é bastante comum ouvir no dia-a-dia que alguém está "deprimido". O uso da palavra depressão se popularizou. Mas, afinal, o que é realmente depressão?

Para entendermos o que é depressão é importante esclarecer as principais diferenças entre depressão, tristeza e luto.

Tristeza e luto são reações normais a determinadas situações ou perdas. Portanto, apresentar tristeza e entrar em processo de luto após um acontecimento marcante (por exemplo, a perda de um ente querido ou o término de um relacionamento) pode ser uma reação normal, esperada e até mesmo saudável - desde que ocorra em período e em intensidade limitados. Tristeza e luto tendem a resolver espontaneamente na maioria das vezes.

Por outro lado, depressão é uma doença mental caracterizada por tristeza, perda de interesse ou prazer, sentimentos de culpa ou baixa autoestima, alteração de sono ou apetite, perda de energia e alteração da concentração. O humor deve ser deprimido na maior parte do dia durante pelo menos duas semanas consecutivas.

A depressão pode ocorrer em pessoas de qualquer sexo, idade e nível de escolaridade ou socioeconômico. Além disso, há diferentes níveis de gravidade de depressão, podendo ser leve, moderada ou grave. Pode se tornar crônica ou recorrente, causando grande dificuldade para o indivíduo lidar com as tarefas da vida diária.

É importante destacar que a depressão não faz parte do curso normal da vida e que pode causar prejuízo no funcionamento do indivíduo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão é a principal causa de invalidez que acomete o indivíduo (medido por anos vividos com incapacidade).


Informações Gerais sobre Depressão (OMS)
- É muito comum, afetando cerca de 121 milhões de pessoas em todo o mundo.
- Pode ser diagnosticada e tratada na atenção primária.
- Menos de 25% dos afetados têm acesso a tratamentos efetivos.


A média de idade para início da depressão é o final da segunda década de vida, mas pode começar em qualquer idade (APA, 2006). O indivíduo com depressão pode apresentar sintomas depressivos com ou sem sintomas ansiosos associados:

a. Principais sintomas depressivos: desânimo, tristeza persistente, desesperança, apatia, perda do interesse/prazer em atividades anteriormente prazerosas (como hobbies), choro fácil, irritabilidade, pessimismo, ideias de morte, cansaço exagerado e constante, insônia ou excesso de sono, aumento ou diminuição do apetite, dificuldade para tomar decisões, diminuição da concentração, alteração da libido.

b. Principais sintomas ansiosos: preocupação intensa e desproporcional frente a fatos do dia-a-dia, apreensão constante, medo exagerado, angústia, inquietação, sudorese excessiva, sensação de taquicardia frequente.


A evolução de um episódio depressivo é muito variável em relação à sua duração. Em média, se não tratada, a depressão dura seis meses ou mais.

Muitos fatores podem influenciar a resposta ao tratamento. Mas alguns pesquisadores (de Diego-Adeliño et al., 2010) sugerem que quanto menor a duração da doença, maiores as chances de resposta ao tratamento. Dessa forma, o quanto antes se fizer o diagnóstico e o tratamento adequados, maiores as chances de se ter uma evolução favorável.

O diagnóstico deve ser realizado por médico, preferencialmente psiquiatra. Além disso, baseia-se no exame psíquico cuidadoso e história detalhada da doença, isto é, não há exames laboratoriais que possam auxiliar na elaboração do diagnóstico. Porém, exames devem ser realizados, a fim de se excluir outras possíveis doenças que podem estar causando a síndrome depressiva.

O objetivo principal do tratamento sempre será a melhora completa dos sintomas. Na maioria dos casos está indicado o tratamento com medicamentos antidepressivos e psicoterapia.

É importante ressaltar que, como em todo o tratamento com antidepressivos, existe um tempo de latência de dois a oito semanas para que os efeitos benéficos apareçam. Após a resolução dos sintomas depressivos, recomenda-se continuidade do tratamento por um período de um a dois anos para prevenir possíveis recaídas.

Portanto, tristeza/luto e depressão são diferentes e merecem abordagens diferentes. Se houver dúvida sobre estar ou não com depressão, consultar um especialista o quanto antes pode aumentar as chances de uma boa evolução e de resgatar a qualidade de vida.


Referências
1. Organização Mundial de Saúde (OMS): http://www.who.int/en/
2. Diretrizes para o Tratamento de Transtornos Psiquiátricos: compêndio 2006/ American Psychiatric Association; tradução Andrea Caleffi, . [et al.]. – Porto Alegre: Artmed, 2008.
3. de Diego-Adeliño J, Portella MJ, Puigdemont D, Pérez-Egea R, Alvarez E, Pérez V. Short duration of untreated illness (DUI) improves response outcomes in first-depressive episodes. J Affect Disord. 2010 Jan; 120(1-3):221-5.

Fonte: http://www.medicinadocomportamento.com.br/textos_temaslivres32.php