... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Náufraga...

"Nesse aspecto, o nome do pai, cuja ‘verdadeira função' é ‘unir (e não opor) um desejo à Lei', longe de gerar a culpa, mais faz tamponá-la. Essa é a tese que explica realmente o fato de a culpa só se elevar à certeza delirante nos casos de psicose, precisamente onde falta a mediação paterna" (Colette Soler in O que Lacan dizia sobre as mulheres)

"Era como se eu estivesse naufragando naquela imensidão, exaurida a ponto de submergir até as profundezas da solidão. Assim, quando aquele sufoco estava quase me asfixiando e eu conseguia me impulsionar até emergir para um único sopro de ar, algo me empurrava novamente para o fundo escuro. Não havia nada que pudesse me ajudar, nem mesmo ninguém por perto para me dar a mão e contraditoriamente muitos para pisar minha cabeça e me fazer afundar. A cada vez que conseguia vir à tona vinha a tormenta. Era tanta escuridão e desamparo que evitava respirar na entrega de tudo se acabar..." 

Aquelas palavras em forma de expressar todo sentimento de Sandra, me tocou a alma. Aquele semblante pesado, envelhecido e com os olhos opacos mirando o além, demonstram a dor de uma mulher abandonada. E, por fim, ela fechou: "Doutora, eu não tenho mais estrutura. Me sinto completamente destruída."  

Anos atrás, Sandra esbanjava alegria e beleza, com seus longos cabelos negros exalando um perfume adocicado e sensual. Irreverente e sempre muito falante encantava com seus olhos brilhantes nas intensas reuniões sociais. Jamais, imaginaria que aquela mulher pudesse ficar tão só e esquecida. Agora, Sandra se tornara anônima e vivia num ostracismo de cortar o coração. Talvez, todo sofrimento vivido pelas dores da existência tenha sido duro demais para Sandra e a fez surtar.