"Entre os gritos de dor física e os
cantos do sofrimento metafísico, como traçar seu estreito caminho
estoico, que consiste em ser digno do que acontece, em extrair alguma
coisa alegre e apaixonante no que acontece, um clarão, um encontro, um
acontecimento, uma velocidade, um dever ?" Gilles Deleuze
É outono, estação melancólica que guardo tristezas não superadas. O frio vem no vento gelado que invade a casa pela grande janela da varanda que mantenho aberta por minha incessante mania de arejar o ambiente. Estou na minha eterna solidão no silêncio completo de um dia inteiro sem dar uma palavra lendo um livro de filosofia.
Ele me chama e eu disfarço com preguiça do encontro. Estou a vontade de pijama e sem motivos para me arrumar. Acho que prefiro a fantasia da troca de provocações e os flertes lúdicos pelas mensagens. Ele insiste e eu dou desculpas com falta de tempo. Quando na verdade o que mais tenho neste dia é tempo. Então, ele suplica e eu cedo requerendo um espaço de duas horas para dar conta de tomar banho e me preparar.
Ele vem e chega com cerimônia, tem um olhar cansado. Mas, ainda guarda o frescor da juventude pela falta do envelhecimento, embora falsificada pelos anos. Abraça-me forte quase num pedido de amor. Já que a paixão não a tenho mais para dar. Eu disfarço e me disperso para que o contato não tire minhas energias.
Ele me chama e eu disfarço com preguiça do encontro. Estou a vontade de pijama e sem motivos para me arrumar. Acho que prefiro a fantasia da troca de provocações e os flertes lúdicos pelas mensagens. Ele insiste e eu dou desculpas com falta de tempo. Quando na verdade o que mais tenho neste dia é tempo. Então, ele suplica e eu cedo requerendo um espaço de duas horas para dar conta de tomar banho e me preparar.
Ele vem e chega com cerimônia, tem um olhar cansado. Mas, ainda guarda o frescor da juventude pela falta do envelhecimento, embora falsificada pelos anos. Abraça-me forte quase num pedido de amor. Já que a paixão não a tenho mais para dar. Eu disfarço e me disperso para que o contato não tire minhas energias.
Sentamos de frente, mas ele desvia o olhar quando o fixo. Não quer se olhar no espelho. Estamos iguais com camisa preta e jeans, idênticos no sentimento do vazio da existência. E, entre os goles do álcool, e as tragadas da nicotina relembramos momentos, filosofamos os encontros e despedidas, teorizamos a liberdade e a intimidade que não conseguimos ter. Somos tão convergentes, mas amarmos nos é impossível.
Na minha ansiedade de falar atropelo sua fala e o interrompo por várias vezes. As horas parecem ter passado em minutos. Enquanto isso, ele absorve minha alegria e até consegue se sintonizar às gargalhadas. Alega o quanto sente falta do meu riso, durante esses quase sete anos sem escutá-lo. Depois, ele parte me deixando esgotada. Mas, leva um pouco da felicidade que consegue me tirar.
Sua angústia fica comigo e amanheço insólita. Ao tentar acender um cigarro após o café da manhã percebo que ele levou meu isqueiro.
Sua angústia fica comigo e amanheço insólita. Ao tentar acender um cigarro após o café da manhã percebo que ele levou meu isqueiro.
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