... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O Deus morto !



Tão acabado, maltrapilho, sem viço, olhos opacos, cabelos doentes
Mesmo assim, se mostra arrogante
O pior de tudo foi o cheiro mofado

Céus ! Aonde está aquele homem ?
Com cheiro doce e amadeirado ?
Com olhos ternos ?
Com entradas de leve calvicie, mas cabelos saudáveis ?
Com vaidade ?
O belo

Acabou !
Em pouco tempo a vampira retirou todo seu sumo
Olhe para vc, agora !
Chega dar pena

Pois, não terás olhos brilhantes ao estarrecer de um orgasmo
Não terás uma mulher sincera ao teu lado
Não terás emoções que impulsionam a paixão
Assim, como não terás a bela adormecida em teus braços

Enganaste ao nutrir fantasias intermináveis pelas sardas
Pois, não são manchinhas saudáveis de sol
São marcas do fracasso

Hoje és refém da feiúra insossa
Daquela com cabelos ressecados
Pele sem viço
Cheiro azedo
E, o pior de tudo sem vida !!!

Fizeste par com a escória e assim, como os porcos
Sobrar-te-á os farelos
Mas, como estás cego feito Édipo
Acreditas que estás no Olympo
Que ironia !

A Narcisista está em êxtase
Por ter finalmente, depois de tantas andanças infrutíferas
Pelos casais em crise
Ter tirado o Apolo da bela
Que já fora, deus um dia
Mas, que sem a bela hoje não passa
De um mortal escondido na multidão
Já nem tem mais altura digna dos guerreiros
Tornou-se isto !
Tão acabado, maltrapilho, sem viço, olhos opacos, cabelos doentes...
(Claudine Garcy)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Amor é fundamental...

"Tal como às vezes digo que, em vez da felicidade, eu acredito na harmonia, penso que o amor é o encontro da harmonia com o outro." Saramago


"... é importante ter como regra fundamental de vida não fazer mal a outrem. A partir do momento em que tenhamos a preocupação de respeitar esta simples regra de convivência humana, não vale a pena perdermo-nos em grandes filosofias sobre o bem e sobre o mal. «Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti» parece um ponto de vista egoísta, mas é o único do género por onde se chega não ao egoísmo mas à relação humana." Saramago 

Cuidado ! Psicopatas podem estar por perto...

Frequentemente, lidamos com pessoas que entram em nossas vidas violando nossa confiança e nos arruinando. E, ainda nos deixam a culpa de que fracassamos. Cuidado ! Podemos ser vitimas fáceis e estarmos diante de um Psicopata ou Sociopata. Já que não existe culpa, afeto ou remorso na linguagem desses indivíduos.

Vale lembrar que "A noção do vínculo social estabelecido por meio de gestos vazios nos permite definir de maneira precisa a figura do sociopata... o uso da linguagem pelo sociopata corresponde paradoxalmente à noção corrente e sensata da linguagem como um meio puramente instrumental de comunicação, como sinais que transmitem significados. Ele usa a linguagem, não é envolvido nela, e é insensível à dimensão performativa. Isto determina a atitude de um sociopata em relação à moralidade: embora ele seja capaz de discernir as regras que regulam a interação social, e até agir moralmente na medida em que verifica que isso serve aos seus objetivos, falta-lhe o senso visceral do certo e errado, a noção de que simplesmente não podemos fazer algumas coisas, independentemente das regras sociais externas. Em suma, um sociopata pratica verdadeiramente a noção de moralidade desenvolvida pelo utilitarismo, segundo o qual moralidade designa um comportamento que adotamos as calcular inteligentemente nossos interesses (ao fim e ao cabo, todos nós nos beneficiamos se tentarmos contribuir para o prazer do maior número possível de pessoas): para ele, moralidade é uma teoria que aprendemos e seguimos, não algo com que nos identificamos substancialmente. Fazer o mal é um erro de cálculo, não um ato culpável." Slavoj Zizek in Como ler Lacan


Os psicopatas, "podem arruinar... famílias, provocar intrigas, destruir sonhos, mas não matam. E, exatamente por isso, permanecem por muito tempo ou até uma vida inteira sem serem descobertos ou diagnosticados. Por serem charmosos, eloquentes, 'inteligentes', envolventes e sedutores, não costumam levantar a menor suspeita de quem realmente são... bons amantes, bons amigos. Visam apenas o benefício próprio, almejam o poder e o status... são mentirosos contumazes, parasitas... líderes natos da maldade." (Ana Beatriz Barbosa Silva in Mentes Perigosas, O psicopata mora ao lado.



Rita de Cássia era uma mulher carinhosa, boa de cama, ativa, segura, estabilizada financeiramente, cristã, possuidora de todas as qualidades possíveis, era a mulher perfeita. Mas, costumava colecionar casos com homens comprometidos e não media esforços ou escrúpulos para acabar com os casamentos.

Sempre delicada, cordata e submissa, mentia, ludibriava, intrigava e não tinha o menor pudor em interferir na vida do casal. Sem culpa ou remorso, não conseguia se colocar no lugar dos outros e assim, era uma predadora.

Seus parceiros, amantes, jamais acreditavam que Rita de Cássia poderia utilizar de tão maquiavélicos métodos de lutar por suas conquistas. De contrapartida, as esposas vítimas desta mulher fria e calculista não tinham a menor chance de se defender das artimanhas engendradas que levavam seus casamentos à ruína.

Como se não bastasse, diante do triunfo de retirar os maridos dos lares familiares, ainda mantinha constantes crueldades com objetivo de afastar de vez, os maridos de qualquer contato com a família.

Se se interessasse por um homem, não havia obstáculos que ela não pudesse passar, começava investindo como amiga, gentil, se fazendo de compreensiva, escutando, tecendo elogios, mostrando preocupação e estudando como formar uma personagem capaz de atender aos anseios do homem escolhido. Se fosse preciso adotava inclusive as qualidades e a personalidade da mulher daquele homem. Investigava a vida da mulher minuciosamente, até dar o bote.

Daí em diante, a vida daquela esposa tornava-se uma verdadeira via crucis, até por um derradeiro fim no casamento e, a levar ao divã de um psiquiatra para tentar curar a depressão, ocasionada pela psicopata. Destruindo assim, mais uma família. 

Budapeste



“Eu era um jovem louro e saudável quando adentrei a baía de Guanabara, errei pelas ruas do Rio de Janeiro e conheci Teresa. Ao ouvir cantar Teresa, caí de amores pelo seu idioma, e após três meses embatucado, senti que tinha a história do alemão na ponta dos dedos. A escrita me saía espontânea, num ritmo que não era o meu, e foi na batata da perna de Teresa que escrevi as primeiras palavras na língua nativa. No princípio ela até gostou, ficou lisonjeada quando eu lhe disse que estava escrevendo um livro nela. Depois deu para ter ciúme, deu para recusar seu corpo, disse que eu só a procurava a fim de escrever nela, e o livro já ia pelo sétimo capítulo quando ela me abandonou. Sem ela, perdi o fio do novelo, voltei ao prefácio, meu conhecimento da língua regrediu, pensei até largar tudo e ir embora para Hamburgo. Passava os dias catatônico diante de uma folha de papel em branco, eu tinha me viciado em Teresa. Experimentei escrever alguma coisa em mim mesmo, mas não era tão bom, então fui a Copacabana procurar as putas. Pagava para escrever nelas, e talvez lhes pagasse além do devido, pois elas simulavam orgasmos que me roubavam toda a concentração. Toquei  na casa de Teresa, estava casada, chorei, ela me deu a mão, permitiu que eu escrevesse umas breves palavras enquanto o marido não vinha. Passei a assediar as estudantes, que às vezes me deixavam escrever em suas blusas, depois na dobra do braço, onde sentiam cócegas, depois na saia, nas coxas. E elas mostravam esses escritos às colegas, que muito os apreciavam, e subiam ao meu apartamento e me pediam que escrevesse o livro na cara delas, no pescoço, depois despiam a blusa e me ofereciam os seios, a barriga e as costas. E davam a ler meus escritos a novas colegas, que subiam ao meu apartamento e me imploravam para arrancar suas calcinhas, e o negro das minhas letras reluzia em suas nádegas rosadas. Moças entravam e saíam da minha vida, e meu livro se dispersava por aí, cada capítulo a voar para um lado. Foi quando apareceu aquela que se deitou em minha cama e me ensinou a escrever de trás para diante. Zelosa dos meus escritos, só ela os sabia ler, mirando-se no espelho, e de noite apagava o que de dia fora escrito, para que eu jamais cessasse de escrever meu livro nela. E engravidou de mim, e na sua barriga o livro foi ganhando novas formas, e foram dias e noites sem pausa, sem comer um sanduíche, trancado no quartinho da agência, até que eu cunhasse, no limite das forças, a frase final: e a mulher amada, cujo leite eu já sorvera, me fez beber da água com que havia lavado sua blusa.” (Chico Buarque in Budapeste)

domingo, 1 de maio de 2011

Ciúme não significa... Amor

 
“O ciúme eterno não depende da fidelidade do outro, mas é a expressão da insegurança na primitiva construção do ser.

Cada olhar, cada ausência não explicada do ser amado terá automaticamente o significado de uma traição, que mora no inconsciente do traidor reprimido” Alberto Goldin in Freud explica a dois.


Parafraseando Chico Buarque brevemente em "Budapeste"...  Eu era uma jovem, de 25 anos de idade, bonita, saudável, sensual, de cabelos longos, olhos brilhantes, sorriso estampado e radiante que encantava, extrovertida, alegre e de coração aberto. Ao adentrar a rua do destino, naquele verão em início de janeiro me deparei com aquele que fizera meu coração disparar num galope incontrolável... Estava ali o homem que julgava dar-me a completude dos laços eternos capaz de mudar todos os meus planos, assim como toda a minha sorte e destino.

Não imaginei que aquela paixão fulminante fosse acabar com o meu sossego de sentimentos mornos. Com uma vida social cheia e na ânsia de viver incondicionalmente minha juventude, cheia de expectativas, me entreguei de cabeça para aquele homem já vivido e com uma bagagem cheia de aventuras colecionadas.

Foram dias e noites com aquela sensação calorosa de preenchimento daquela paixão até então, correspondida. Mas, não tardou para que começasse a insegurança da dúvida. Logo em seguida, de uma noite de entrega tímida veio a desculpa de um término daquilo que nem havia começado. Por pouco tempo, retornando a minha procura. Por que não parei por ali ?

Em poucos meses, aquela paixão que me atormentava o sono e só queria estar junto dele. Imprudentemente, mesmo diante da incerteza larguei tudo para trás e, fui viver com esse homem que mal conhecia. Mas, a paixão é assim mesmo, nos cega e o que interessa para satisfazer a ansiedade do amor revelado é estar ao lado do homem idealizado.

Aprendi a ter que me contentar com algumas faltas, mas estava ao lado daquele que escolhi para me dar a imortalidade. E, entreguei-me de corpo e alma, unindo-me ainda mais aquele homem como uma amálgama. Passei a ser ele porque achava que ele era eu.

Foram anos com momentos felizes e infelizes, numa mistura de êxtase e sofrimento, cuja paixão febril se estendeu ao amor legítimo. Enfrentei muitas crises e muitas eminências de perda, mas lutei muito e perdoei todos os deslizes. Minha vida era aberta e totalmente transparente àquele homem que sempre se mantinha misterioso e incógnito, mas sabia me cobrar, e muito, todas as provas de amor para se sentir seguro que eu estivesse mesma, aprisionada.

Fui leal, fiel, cúmplice, amiga, companheira, agüentei todas as barras enfrentadas ao seu lado. Parafraseando também, Renato Russo em poesia musical de "Eduardo e Monica"... "que nem feijão com arroz".

Passei por muitos momentos solitários nos últimos anos, enfrentando o abandono emocional, sendo investigada e inquirida, mas sempre acreditando tratar-se de uma crise passageira, como tantas outras.

Eis que, de repente tudo mudou e do nada, fui abandonada com a desculpa mais esfarrapada de que não se sentia amado por mim e era nítido que havia me apaixonado por outro. Mas, que outro ?  Na verdade, não era outro e também, o problema não era eu.  
 
João havia se apaixonado por outra, mantinha um caso por meses e num ato perverso e covarde, depositou todo o peso dos anos em meus ombros. Saindo ileso, do seu ciúme doentio infundado, da sua insegurança por baixa-estima. Talvez, tivesse se vingado por todas as alucinações. Restando-me apenas, a dor profunda de um sofrimento insuportável.


Inconstância...



“Os homens que têm a mania das mulheres dividem-se facilmente em duas categorias. Uns procuram em todas as mulheres a idéia que eles próprios têm da mulher tal como ela lhe aparece em sonhos, o que é algo de subjetivo e sempre igual. Aos outros, move-os o desejo de se apoderarem da infinita diversidade do mundo feminino objetivo.

A obsessão dos primeiros é uma obsessão lírica; o que procuram nas mulheres não é senão eles próprios, não é senão o seu próprio ideal, mas, ao fim e ao cabo, apanham sempre uma grande desilusão, porque, como sabemos, o ideal é precisamente o que nunca se encontra. Como a desilusão que os faz andar de mulher em mulher dá, ao mesmo tempo, uma espécie de desculpa melodramática à sua inconstância, não poucos corações sensíveis acham comovente a sua perseverante poligamia.

A outra obsessão é uma obsessão épica e as mulheres não vêem nela nada de comovente: como o homem não projeta nas mulheres um ideal subjetivo, tudo tem interesse e nada pode desiludi-lo. E esta impossibilidade de desilusão encerra em si algo de escandaloso. Aos olhos do mundo, a obsessão do femeeiro épico não tem remissão (porque não é resgatada pela desilusão).

Como o femeeiro lírico gosta sempre do mesmo tipo de mulheres, quase nem se repara quando tem uma amante nova; os amigos causam-lhe sérios embaraços porque nunca vêem que a sua companheira já não é a mesma e tratam as suas amantes sempre pelo mesmo nome.

Na sua caça ao conhecimento, os femeeiros épicos afastam-se cada vez mais da beleza feminina convencional (de que depressa se cansam) e acabam infalivelmente como selecionadores de curiosidades. Têm consciência de tal coisa, envergonham-se um pouco dela e, para não incomodar os amigos, nunca aparecem em público com as amantes."  Milan Kundera, in "A Insustentável Leveza do Ser"

O Vazio...


“Num dia frio de inverno, alguns porcos-espinhos se juntaram para se aquecerem com o calor de seus corpos. Mas logo viram que estavam se espetando e se afastaram. Ficaram com o frio de novo e se juntaram. Assim é na sociedade, onde o vazio e a monotonia fazem com que os homens se aproximem, mas seus muitos defeitos, desagradáveis e repelentes, fazem com que se afastem." (Os Porcos-Espinhos de Arthur Schopenhauer)


"Quando, por razões de resistência, de defesa e de outros mecanismos de anulação do objeto, o objeto desaparece, permanece o que dele pode restar, a direção para o seu lugar, lugar de onde ele , a partir de então, se ausenta .... Quando atingimos este ponto, a angústia é o último modo, modo radical, sob o qual o sujeito continua a sustentar, mesmo que de uma maneira insustentável, a relação com o desejo." (Lacan,in A Transferência)