... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Filhos... Um amor incondicional !

                                                                                                          

"A sólida base de nossa visão do mundo e também o grau de sua profundidade são formados na infância. Essa visão é depois elaborada e aperfeiçoada, mas, na essência, não se altera."

(Schopenhauer in Parerga e Paralipomena
"Sobre os diferentes períodos da vida")



Ao retornar de mais um dia de trabalho, lanço o cumprimento rotineiro ao porteiro que me abre a porta do edifício.
- Boa noite ! Sr. Pedro e obrigada.
- Boa noite, Dra. Olga, tudo bem com a senhora ?
- Tudo bem e com o Sr. ?
- Comigo tudo bem também, mas tenho achado o Yuri muito triste.
- Triste ? Como assim ?
- Ah ! Dra. ele era tão alegre assim, como a senhora. Agora, anda de cabeça baixa e não fala mais com a gente.
- Não é nada, não, Sr. Pedro. Coisa de adolescente.

Segui no elevador até a porta de casa angustiada pela dor do meu filho, pois esse não era um comentário avulso. Por inúmeras vezes, fui informada da tristeza que assombrava meu filho após a minha separação.

Tanto os vizinhos comentavam da mudança de comportamento de Yuri, como os amigos também, ao me depararem pela rua. Era inegável o seu abalo emocional, diante do afastamento do pai. O rendimento escolar, a falta de ânimo, a agressividade e o semblante pesado, já demonstravam todo o sofrimento em que ele estava passando no momento mais decisivo da sua vida, adolescência e preparação para o vestibular.

Minha chegada não tinha mais a recepção esfuziante do meu filho, que agora se sentia desamparado e solitário. Como de costume, aproveitei a hora do jantar para conversar sobre o seu dia e laconicamente Yuri ia respondendo automaticamente sem construir diálogo. Apesar, de todos os dias enviar-me mensagens carinhosas via celular, tipo: “Mamãe te amo muito... te amo demasiadamente... “

De contrapartida, o próprio pai não estava interessado em dar a atenção devida ao filho, evitando participar de sua criação e pouco se importando com o seu estado emocional. Deixando unicamente ao meu encargo dar atenção, amor e cuidar de Yuri. Nem mesmo, a visitação era respeitada, comprovando assim, o total abandono afetivo do pai.

Com olhos úmidos, evitando chorar, Yuri me revela da decepção com pai. Do quanto perdera a admiração pelo genitor e, pior ainda, que o considerava um canalha. Senti uma pontada no peito, por mais que eu tentasse apaziguar aqueles sentimentos do meu filho, ele rispidamente me cortou.
- Mãe deixa de ser boba, esqueceu o que fez conosco ? Acorda ! Meu pai odeia você e não me ama.
- Meu filho, não pense assim. Isso não é verdade, seu pai ama muito você.
- Ama nada, meu pai não tem moral alguma.
- Entenda de uma vez por todas que a separação se deu comigo e não com você. Filho é pra sempre e aliás, você é uma pessoa maravilhosa, estudioso, ajuizado. Seu pai e eu temos muito orgulho de você.
- Mas, eu tenho muito orgulho de você, Mãe. E, dele não. Ele foi um péssimo exemplo na minha vida, nunca quero ser igual à ele.

Chorei muito, naquela noite e me senti impotente diante da ausência daquele pai que por ora, fora tão adorado, até mais do que eu pelo meu filho. Indubitavelmente, a referência paterna havia se quebrado e o tempo dirá as conseqüências dessa rejeição. Tanto que o prenuncio já começara, com a adição de bebidas alcoólicas por Yuri.

A separação conjugal desestrutura a família, portanto é extremamente necessário que os pais sejam presentes com os filhos para não romper com o laço afetivo. Admiração se constroi com atitudes éticas e bons exemplos. Somos responsáveis pela saúde psicológica de nossos filhos.
(Claudine Garcy)