... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A Carta não enviada...

"A conservação da carta não enviada é sua característica impressionante. Nem a escrita nem o envio são notáveis (com frequência fazemos rascunhos de cartas e os jogamos fora), mas sim o gesto de guardar a mensagem quando não temos nenhuma intenção de enviá-la. Ao guardar a carta, nós a estamos enviando de algum modo, afinal. Não estamos abandonando nossa ideia ou rejeitando-a como tola ou desprezível (como fazemos ao rasgar uma carta); ao contrário, estamos lhe dando um voto de confiança extra." (Janet Malcolm in A Mulher Calada)



Meu querido amigo:

Tenho pensado muito em você. Sabe aquela angústia que tanto nos solidarizamos ? Pois é, estou angustiada. Não há remédio que a cure. Nem mesmo os meus recentes amigos de viagem têm a fórmula mágica para amenizar aquela dor apertada no fundo do âmago.

Então, espero que você tenha continuado na luta pela vida. Não vai "chutar o balde", enquanto estou longe geograficamente, porque continuo perto emocionalmente...

Aguenta firme que estou chegando em breve, cheia de novidades e esperanças da sua melhora. Vê se fica bom logo, para podermos programar uma viagem juntos...

Já tentei saber notícias suas, mas não tive qualquer resposta. Como dizia Freud, me abateu uma melancolia, como se fosse luto por sua falta. Algo me diz que você está se entregando e, me sinto muito angustiada por não poder estar aí com você. 

Tenho me emocionado muito pelas nossas lembranças, dos papos filosóficos em que tínhamos várias discussões sobre os problemas da humanidade.

Parece até que estou me despedindo, enquanto que tenho esperança de retornar e saber que você ganhou mais essa batalha. Espero que você não esteja sofrendo e nem com medo de não resistir. Mas, confesso que meu inconsciente sabe que está cansado...

Você sabe como sou fraca emocionalmente para lidar com as perdas. Principalmente, com a finitude. Então, seja forte e escolha viver. Sei que pode ! Por favor, não me deixe agora, não suportarei sua falta.

Ademais, o amor sempre vence e está acima de qualquer enfermidade. Pense, em nós seus amigos, e todos aqueles que lhe admiram e lhe amam. Viva ! Por você ! Por todos nós !

Beijos; da sua neurótica Marie 

(Esta carta nunca chegou ao seu destino. Ivan havia falecido na data em que a mesma foi escrita.)