... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

sábado, 14 de maio de 2011

Em busca da felicidade...



"É desejo de todo homem ... viver feliz,
mas quando se trata de ver claramente
o que torna a vida feliz,
eles tateiam em busca da luz;
de fato, uma medida da dificuldade de
atingir a vida feliz
é que, quanto maior a energia que um
homem gasta empenhando-se por ela,
mais dela se afasta
caso tenha errado em algum ponto do
caminho..." (Sêneca, in Sobre a vida feliz)


"... sociedades como a nossa, movidas por milhões de homens e mulheres em busca da felicidade, estão se tornando mais ricas, mas não está claro se estão se tornando mais felizes. Parece que a busca dos seres humanos pela felicidade pode muito bem se mostrar responsável pelo seu próprio fracasso. Todos os dados empíricos disponíveis indicam que, nas populações das sociedades abastadas, pode não haver relação alguma entre mais riqueza, considerada o principal veículo de uma vida feliz, e maior felicidade!". (citação de Michael Rustin por Zygmunt Bauman, in A Arte da Vida)

Suicídio da Alma...


Sentada no parapeito da janela do nono andar, Carolina retira cuidadosamente os óculos. Logo, vem o pensamento: Por que os suicidas retiram seus óculos ?

Decide não se acabar daquela forma, pois poderia estar passando algum desavisado e não seria justo tê-lo em companhia. Aliás, tudo o que Carolina não queria era companhia e muito menos testemunhas.

Retorna ao quarto e rasga a carta suicida, certa de que não teria que dar satisfações da sua liberdade de escolha, até porque não se trata de um ato covarde e sim, apenas uma eutanásia.

Já que as dores da alma tornaram-se insuportáveis e objetivava somente descanso de tanto sofrimento.

Diante de alguma dignidade restante, aproveita para separar o seu belo taier vermelho e o estende na cama. Cuidadosamente separa também, as meias de sedas, o scarpin e algumas pérolas em colar e brincos.

Enquanto toma um demorado banho morno, cuja água tépida se confunde com as últimas lágrimas, passa-lhe em mente, feito um curta-metragem os momentos em que se julgou feliz no passado distante.

Já enxuta e decidida, abre a gaveta de maquiagem e começa a pintar-se pelos olhos findando com um batom carmim. Penteia os cabelos ainda úmidos, veste-se e com duas borrifadas de seu perfume está pronta para seu eterno descanso.

Assim, lança mão dos comprimidos e poderá dormir os sonos dos justos.


"A idéia do suicídio é uma grande consolação: ajuda a suportar muitas noites más" (Nietzsche in Para Além do Bem e do Mal) 

Uma mulher sem medo de falar...

"Estava surpreendida consigo mesma, com a liberdade com que tinha respondido ao marido, sem temor, sem ter de escolher as palavras, dizendo simplesmente o que, na sua opinião, o caso justificava. Era como se dentro de si habitasse uma outra mulher, com nula dependência do senhor ou de um esposo..." (Saramago in Caim).

A dor da perda do amado...




"A perda do amado
é uma ruptura não
fora, mas dentro
de mim."






"... a dor psíquica se
deve à perda da pessoa do ser amado.
Como se fosse a sua ausência que doesse.
Ora, não é a ausência do outro
que dói, são os efeitos em mim dessa
ausência. Não sofro com o desaparecimento
do outro. Sofro porque a força
do meu desejo fica privada de uma de
suas fontes, que era o corpo do amado;
porque o ritmo simbólico dessa
força fica quebrado com o desaparecimento
do compasso que os estímulos
provenientes daquele corpo escandiam;
e depois porque o espelho
psíquico que refletia as minhas imagens
desmoronou, por falta do apoio
vivo em que sua presença se transformara.
A lesão que provoca a dor psíquica
não é pois o desaparecimento
físico do ser amado, mas o transtorno interno gerado
pela desarticulação da fantasia do amado."
(J.-D. Nasio, in A Dor de Amar)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ausência...
















Vivo a dor da ausência de um amor
Tua ausência sempre foste presente
Meu sofrimento pela angustia da tua ausência
Está cada vez mais presente
Até nos sonhos tu estás presente
Mas, ausente
Corro desesperadamente atrás de ti
Mas, não te alcanço porque sempre estás ausente
E, será sempre assim
A angústia de viver a tua ausência.

Solidão...

Andando pela cidade
vou seguindo um caminho automático.
A paisagem urbana é cinza,
por isso não me dou conta
de quanto meus olhos
estão acostumados ao vazio.
Sem a mínima perspectiva
não preciso nem olhar o relógio,
já que não há ninguém a minha espera.
Aliás, a impressão é de que o tempo parou
e não existe amanhã ou existirá futuro.  

 












Solidão me acompanha a cada passo vazio
que ao passar pelas vitrines
nem a minha imagem pode ser refletida nos vidros.
Há quanto tempo não me vejo no espelho,
será que ainda vivo ?
Não tenho sede ou fome,
apenas sono para me libertar desse sofrimento.

 












Mas, nem nos sonhos
sou capaz de escapar da dor
e subitamente acordo angustiada, 
amedrontada dos pesadelos reincidentes
que insistem em me acompanhar
como uma forma de me escravizar.
Não há mais nada,
nem o sossego das noites
que se perde nesse turbilhão de amargura
que me seca o íntimo.











Amanhã nascerá outro dia
nublado e cinza,
que já nem sei se é real ou construído
nos meus delírios do vácuo de minha alma.
Novamente, arrastar-me-ei
perdida entre as ruas da cidade
sem rumo ou destino.
E, assim irei atônita vagando por aí...  

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Cansada...


Cansa-me, a hipocrisia da felicidade inventada nessa realidade cruel e maçante. 

Cansa-me, a traição e a deslealdade dos que me beijam com fel envenenando o amor. 

Cansa-me, a falsidade repugnante das almas opacas alienadas pela falsa verdade...


Ah! Como me canso de pensar e lutar sozinha na escuridão.
Ou, estou mesmo é cansada de mim mesma ?
Quero descansar no túmulo frio que me espera.
Ou, será libertação dos fantasmas que me atormentam ?
Que, alimentam minha angústia de incompletude.
Oh! Se não fosse o medo da finitude, talvez escolhesse dormir tão profundamente e acordar na paz.
Não é loucura, não é fuga.
É apenas, cansaço de tanta dor e sofrimento.
(Claudine Garcy)