... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Tortura psicológica...

"(...) Me dei conta da capacidade de meu marido de se livrar das pessoas quando não lhe convinham mais - a começar pela ex-mulher, que ele dizia ser louca, porque tentara suicídio após o rompimento. Ele também sugeria: "Poderíamos viver só nós, não preciso de mais ninguém, você tem mania de ter amigos demais". (...) Tentou me fazer desistir de comemorar meu aniversário. Logo eu que sou tão festeira." Ruth de Aquino in matéria publicada na Revista CLAUDIA.




Eu era solteira e bem mais jovem do que Fernando, o qual já passara por um casamento desfeito há uns três anos, com filhos oriundos dessa união. Envolvente, sedutor, generoso, cordial, apresentava todas as qualidades possíveis que me deixaram apaixonada.

Sempre gentil realizava todas as minhas vontades, com passeios, viagens, jantares, presentes em lindas manifestações de amor. As afinidades eram tantas que mesmo diante de alguma divergência evidente não bastava para que logo, Fernando concordasse comigo. Evitando assim, qualquer forma de me contrariar.

Nosso período de namoro durou pouco e não tardou para que começassem as investidas de morarmos juntos. Relutei de início porque achava muito cedo, mas todos os dias vinham as insistências, até a ameaça de rompimento. Enfrentei minha família que discorda do meu relacionamento e fui viver com o homem da minha vida.

Gradativamente, sem que eu percebesse Fernando começou a me dominar, cerceando minhas amizades sutilmente e então, começaram as críticas, as contestações, as chantagens emocionais, a necessidade de provas de amor, desconfianças e ciúmes.

As reclamações começaram a me incomodar, seu gênio difícil com cobranças sexuais e atenção contínua me sufocava e as grosserias me afastavam cada vez mais. Entretanto, suportei todas as crises, constrangimentos e torturas psicológicas em consideração a nossa formação familiar.

Por anos, fui leal e cúmplice de Fernando enquanto necessária a sua satisfação narcisista. Já não existiam mais manifestações de cordialidade, viagens, passeios e qualquer forma de me agradar.

No momento em que comecei a me impor e não compactuar com suas grosserias e caprichos, os atritos começaram chegando a decepção com a descoberta de um caso extraconjugal, dentre tantos outros até o rompimento do nosso relacionamento. Mas, havia restado somente as dores e o sofrimento.

Aquele homem gentil e amável se transformara num estranho, me vampirizando e acabando com a minha auto-estima, a ponto de me deixar doente e desamparada.

Em matéria publicada na revista CLAUDIA, a especialista em assédio moral, Marie-France Hirigoyen, aponta como ocorre a violência psicológica capaz de causar danos emocionais sérios. Conforme o depoimento mencionado.



"Veja, agora, algumas frases que são ditas no casamento e que, se repetidas com freqüência, denunciam o desejo de dominar, humilhar, denegrir, intimidar. São expressões que ilustram casos reais contados pelas pacientes de Marie-France. É o começo da violência sutil, que aumenta progressivamente... até que a vítima acaba sem saber o que é normal ou não, o que dizer, o que pensar. São mensagens de sedução no início, seguidas de ameaças veladas ou de clara hostilidade e fria indiferença.



"Eu digo isso porque te amo."

"Não adianta eu te explicar, você não vai entender mesmo."

"Seu comportamento não me surpreende."

"Com a família que você tem..."

"Você acha que sou um imbecil?"

"Você não vai conseguir."

"Prefiro que você não faça isso sozinha."

“Não tenho nada a ver com isso, não é problema meu."

"Sei melhor do que você o que é bom para você."

"Pára de falar besteira."

"Afinal, você tem medo do quê?"

"Você vive reclamando."

"Por que você não consegue fazer nada direito?"

"Todo mundo sabe que você é louca, eu deveria internar você."

"Se você passar daquela porta...""