... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

A dor do outro...




Estou na ante-sala do Hospital, sinto uma contraditória sensação de uma dor profunda que me queima o âmago pela compaixão do sofrimento desta mãe que empunha a espada em defesa de seu rebento e, com um certo narcisismo simbólico da cumplicidade. Talvez, pela confiança compartilhada. Embora, minha vontade seja de arrancar os cabelos e gritar essa cólera íntima da revolta. 

Não posso me descontrolar, afinal todo o amor que tenho por ela deve servir para não deixá-la sozinha na guerra e resgatar nosso soldado guerrilheiro ferido. Destemido, luta bravamente e se agarra com segurança à esperança da vitória. Caminha se arrastando no fio da navalha, tentando alcançar a vida que lhe cabe. Afinal, um dos compromissos do guerrilheiro é manter-se vivo. 

Seguro o nó no peito, não posso explodir e tampouco despencar. Pois, a mãe parece confiar meu testemunho diante da injustiça, não tenho forças, mas quero dar-lhe meu colo e afagar suavemente seus cabelos até que adormeça, despertando quando a guerra acabar.

Contudo, é na dor lancinante e no sofrimento aterrador que vejo admirada a fortaleza dessa leoa Matriarca, lutando sem trégua numa guerra desigual. Envergonhada dos meus pífios sentimentos pela depressão que me levou a conhecê-la, seguro a mão macia e suave da doçura e a extrema sensibilidade da cria artista sentado ao meu lado absorto, diante da peça grega da vida.  

Minha cabeça é um turbilhão de amarguras, logo ela, que acalanta meu pranto e cuida do meu rebento. Queria dar-lhe minha vida em troca do seu soldado que padece no leito, já que por várias vezes estive um paço de desertar. Mas, a vida não é justa e, somente resta a minha gratidão e compaixão.