... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Essa dor nunca vai passar...

"Não sei se as pessoas choram de forma diferente uma das outras, eu choro contraída, como se alguém estivesse perfurando minha alma com uma lâmina enferrujada, choro como quem implora, pare, não posso mais suportar, mas o insuportável é uma medida que nunca tem limite, eu chorei no domingo, na segunda, na terça, em várias partes do dia e da noite, um choro de quem pede clemência, de quem está sendo confrontado com a morte, eu estava abandonando uma vida que não teria mais, eu sofria minha própria despedida, morte e parto, eu tinha que renascer e não queria, não quero, sinto que caí num vácuo, perdi a parte boa da minha história, e não quero outra, enquanto choro penso que se alguém me visse chorar dessa maneira me salvaria, prestaria socorro, chamaria uma ambulância... Você sofre a minha ausência, sente minha falta ?" (Martha Medeiros in fora de mim)



O tempo já havia passado, mas a dor nunca vai passar e cada vez mais, me afundava no vazio amargo do consequente abandono, nada seria como antes, não havia mais planos futuros, forças para continuar e somente cobranças implacáveis das obrigações adiadas, das responsabilidades perdidas, da saúde abandonada, da falta que você me fazia me deixando sozinha a própria sorte. 

Quem foi que disse que o tempo cura ? Provavelmente, alguém que nunca sofreu uma autentica desilusão. Talvez, alguém que não tivesse um projeto de vida genuíno ou então, alguém que somente tinha um amor com prazo de validade.

Quanto mais o tempo passa, mais me afundo na escuridão da solidão, no temor do desamparo e na certeza do afastamento inevitável de nunca lhe ver. O tempo não perdoa e cada vez me envelhece mais, meu corpo está tão cansado que não quer continuar. O tempo passado me consome as energias, restando apenas as lembranças, mas carrega a melancolia dos tempos difíceis e do presente sofrido sem alternativas.

Tudo se desgasta com o tempo, os objetos, os sentimentos e principalmente as alegrias. Minhas cartas que você descartou amarelam nas gavetas emperradas pela madeira ressecada pelo tempo. As roupas que foram deixadas no tempo mofam no armário fechado, seus pertences mais pessoais já não fazem falta. Pois, você rompeu com o tempo e não quis levar nada que lhe fizesse lembrar do tempo em que vivemos juntos. 

Não há mais tempo, para resgate das emoções vividas, da cama repartida, da mesa compartilhada nas refeições, da espera ansiosa da sua chegada... Apenas, um tempo empoeirado dos sentimentos decadentes, cujas mágoas da sua crueldade me furtaram anos de tempos perdidos.