... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Cheia de rancores e decepções...Sou uma Mulher destruída.


"O quarto tresanda a tabaco retardado e a álcool, há cinza por todo o lado, estou suja, os lençóis estão sujos; esta sujidade é uma concha que me protege, nunca mais sairei dela. Seria fácil deslizar até um pouco mais longe, até ao nada, até ao ponto do não regresso. Tenho o que é preciso na gaveta. Mas não quero, não quero, Tenho quarenta e quatro anos, é demasiado cedo para morrer, é injusto ! Já não posso viver. Não quero morrer." Simone de Beauvoir in A Mulher Destruída



Eu tinha apenas quarenta e quatro anos para morrer, mas já tinha muitos anos para ter que recomeçar. Então, ali fiquei por dias, sem tomar banho, sem comer, sem ver a luz do dia, apenas na minha escuridão consumindo as trevas, me debulhando em lágrimas ácidas que cortavam meu rosto pelo fracasso em não deter José. 

Não havia mais o que ser feito, ele correra desesperadamente para os braços da outra que lhe proporcionava tudo aquilo que eu já não tinha mais para dá-lo. A paixão !

Em minha mente repleta de dúvidas, somente questionava por que deixara de amar ? Aonde estava o afeto e a amizade dos relacionamentos estáveis ? Então, o que foram todos àqueles momentos que dividimos juntos ? E, agora como fica a família diante deste abandono ?

Estava exausta de pensar, dia após dia, como não descobri a falsidade dele. Um caso clandestino de tempos. Eu não merecia tamanha deslealdade. Enquanto, para justificar toda sua traição, José me difamava e mentia, sem ter nunca admitido que era ele o impostor. 

Por que não percebi ? Talvez, se fosse mais esperta e desconfiada teria me precavido de amá-lo tão intensamente e me entregado de corpo e alma a quem não merecia. Não teria aberto mão de tantos planos individuais e tampouco, teria sido fiel. 

Agora, minha beleza e jovialidade já haviam sido sugadas por ele, que estava satisfeito e me trocara de forma fútil, sem remorso. Meu sorriso apagou-se e minha alegria entristeceu-se. 

Hoje sou amarga e carrego rancores pela desilusão do fracasso. Sem jamais, ouvir um pedido de desculpas. Sou uma mulher destruída !