... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O homem inventado no espelho...

"As mulheres durante todos estes séculos serviram de espelhos possuindo o poder mágico e delicioso de refletir uma imagem do homem com o dobro do seu tamanho natural. [...] Isso serve para explicar, em parte, a indispensável necessidade que as mulheres tão freqüentemente representam para os homens. E serve para explicar como eles ficam inquietos quando colocados sob a sua crítica, como é impossível para ela dizer-lhes que este livro é ruim, este quadro é fraco, ou o que quer que seja, sem causar mais dor ou despertar mais raiva que um homem que fizesse a mesma crítica. Pois, se ela começa a dizer a verdade, a figura no espelho encolhe, sua aptidão para a vida é diminuída. Como pode ele continuar a passar julgamentos, a civilizar nativos, a fazer leis, escrever livros, arrumar-se todo e discursar em banquetes, a menos que possa ver a si mesmo no café da manhã e no jantar com pelo menos o dobro do tamanho que realmente é ?"   

Virginia Woolf



Logo, ele se sentiu o mais desejado e poderoso de todos os homens pelos elogios inventados, por ela, o prendendo numa trama criada nas mentiras mais variadas. Aos poucos sua personalidade foi se adequando ao personagem criado pela falsa apaixonada, o anulando perante o mundo e o agrilhoando em sua própria mediocridade. 

Seus anos duplicaram em sua face desnuda, seus cabelos embranqueceram rapidamente, seu corpo diminuiu visivelmente, suas vestes eram de péssimo gosto. Então, àquele homem que era altivo e admirado aos olhos de todos, agora era mais um na multidão, sem qualquer atrativo. Porém, assegurado à teia engendrada pela mulher que o dominava totalmente.

E, ela somente podia declamar seus desejos pelas costas, expondo sua verdadeira decepção, em declamações daquele homem em seus defeitos e inseguranças, já que sua vitalidade e energia se foram. Mas, ele se olhava no espelho e via refletido a imagem dela, sem saber quem verdadeiramente era agora. Apenas, um cego aprisionado por seu narcisismo.

O quão é ingenuo um homem arrogante, preocupado em satisfazer suas fantasias, diante das artimanhas de uma mulher que se vinga.