... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

domingo, 29 de junho de 2014

A força do Capital nas relações pessoais...

"O que ele descobriu foi que com a aquisição do prêmio reluzente do novo sistema econômico, o dinheiro (e por extensão todas as coisas que tal capital podia comprar) se havia convertido na única força motriz da existência do homem moderno, pervertendo todos os aspectos de suas relações com as outras pessoas, e até mesmo como ele via a si mesmo. Magicamente o dinheiro permitia ao rico se tornar aquilo que bem desejasse ser: Sou  feio, mas posso comprar para mim as mais belas mulheres. Portanto não sou  feio, pois o efeito da  feiúra – seu poder de dissuasão – é anulado pelo dinheiro… Sou mau, desonesto, inescrupuloso, estúpido; mas o dinheiro é honrado, assim como seu possuidor. … Não tenho nada na cabeça, mas o dinheiro é o verdadeiro cérebro de todas as coisas, então como seu possuidor pode ser obtuso ? Além do mais, ele pode comprar pessoas inteligentes para si. … Todo esse meu dinheiro, portanto, não transforma toda essa minha incapacidade em seu contrário ?" Mary Gabriel in Amor e Capital


Àquela mulher magra e abatida, usava um vestido de tecido simples, já fora de moda sob uma jaqueta jeans e explicitava uma tristeza e solidão estampada em seu rosto lavado beirando a idade cinquentenária. Quando no meio das negociações da reunião, confessou seu sofrimento pelo divórcio, cujo ex-marido havia abandonado-a por uma mulher bem mais jovem. 

Ainda, argumentou como poderia competir com uma jovem de vinte poucos anos, longos cabelos louros, olhos claros, corpo perfeito e belíssima ? Questionou se eu conseguia me imaginar no seu lugar ? E, arrematou, respondendo: "Não, não é. Você é linda." 

Consolei-a, contando da minha separação, que se deu por conta uma mulher bem mais velha, de uma feiúra incontestável, de caráter duvidoso e sem intelectualidade alguma que pudesse se sobrepor a falta de atrativos físicos. Mas, era dissimulada e assimilara uma personagem aos moldes da submissão almejada pelos homens.

Surpresa, lançou a indagação da questão financeira e fui obrigada a concordar que o dinheiro da minha rival lhe tornara bela, interessante e conseguia apagar todos os seus defeitos. Incluindo a questão moral. Tornando assim, a competição amorosa impossível, já que eu não havia condições sócio-econômicas para proporcioná-lo viagens, restaurantes caros e a mordomia que agora usufruíra. 

Assim, estava notório que as relações amorosas e pessoais se transformaram em um negócio capitalista, em que o amor genuíno não tinha mais valor. E, nem mesmo a família tinha peso nas relações pessoais.