... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Doidas ou Santas... As mulheres recebem rótulos do patriarcado.


"Somos a soma das nossas decisões. Tudo envolve o nosso lado racional, até mesmo escolhas afetivas."... "O nosso desejo mais secreto quase sempre é secreto até para nós mesmos. Somos uma imensa turma, somos uma enorme população, somos uma gigantesca família de solitários, eu, você, todos nós." Martha Medeiros



Qual a posição sexual da mulher na sociedade que ainda carrega a moral do patriarcado ? Ser livre ou comprometida ? Atender aos interesses sexuais de seus parceiros ou a si mesma ? 

 A mulher vive hoje num beco sem saída, em que nem a atividade sexual e nem a inatividade sexual estará livre de ser julgada. Se ela é sexualmente ativa, livre, estará aberta a censura e punição por ser solta, sendo taxada de sem princípios ou puta. As críticas, os comentários sarcásticos e constrangedores, vem tanto dos homens quanto das outras mulheres. Sendo tratada como um objeto fácil pelos homens. Então, ela pode ter que mentir para esconder o comportamento rejeitado e inventar uma personagem aceita pela sociedade. No entanto, se ela se abstém de atividade sexual, sublimando o sexo por outros prazeres, será bastante assediada pelos homens que tentam persuadi-la para o sexo, cobiçando-a. Mas, também não estará livre das críticas de ser frígida, de não gostar de sexo e de não ser sexualmente normal, pelos mesmos que aprovam seu comportamento. 

Quanto ao casamento, a situação da mulher contemporânea piora. Pois, a mulher casada vive num sistema opressivo, repletos de obrigações e de hipocrisia. Seu marido lhe cobrará recato diante da sociedade e fidelidade, sempre desconfiando de suas atitudes. Exigirá atenção e sexo, como um objeto de desejo privativo, sem se preocupar com seus desejos que ainda, podem ser mal interpretados. A rotina diante das cobranças, das obrigações do lar e fora deste, bem como a escassez romântica pela intimidade, levam a mulher casada a perder a vontade do sexo. Enquanto, seu marido tem uma vida privada fora do lar com casos e aventuras sexuais. 

Já a mulher livre, solteira ou divorciada, que intenciona um relacionamento estável, pensará que o homem ideal será os que aspiram compromisso e muitas vezes investirá freneticamente em homens desse tipo, casados ou comprometidos. Já que os livres não planejam compromisso.Tornando-se assim, a grosso modo inimiga da própria mulher. Se a mulher for livre e não intencionar se relacionar, talvez acabe até se comprometendo à algum relacionamento espontâneo. Mas, se carrega o estima de divorciada ou solteirona fará de tudo para investir no homem comprometido que traz, toda rotina do casamento e suas queixas do cotidiano. Então, ela começa a se moldar aos desejos desse homem, agindo completamente inversa a posição da outra, quando muito tecerá artimanhas para o rompimento. Seu grande trunfo será a atividade sexual para resgatar este homem que está insatisfeito, mas poderá mentir se fazendo de recatada aos outros para parecer fiel. 

Assim, nessa ótica, vivemos numa sociedade machista em que as mulheres são rivais e os homens consumidores sexuais, sem constrangimentos. 

Um dos exemplos mais marcantes foi um caso de uma mulher amante de um homem casado, que se fez de santa e ao mesmo tempo usando o sexo como campanha para demonstrar ao homem casado que ela o amava verdadeiramente, por isso não lhe negava suas fantasias, enquanto a mulher do amante não o amava suficientemente porque não compartilhava dessas fantasias. Desta forma, todas as armas manipuladoras foram lançadas para fisgá-lo. Resultando, a troca se deu, deixando a mulher e a família para viver todo o desejo proposto pela amante que lhe confere auto-estima, mesmo de maneira inverídica. Mas, esse mesmo homem que se culpava pelo rompimento, inconscientemente se entregou a uma mulher ativamente sexual que sofre críticas da sociedade, pelas pessoas que conhecem seu passado. Comentários constrangedores de suas intimidades sexuais são  expostos abertamente, tanto pelas amigas, quanto pelos seus homens do passado, comprovando assim, os valores do patriarcado. 

Já a mulher traída e abandonada pelo marido, agora é cobiçada pelos homens e respeitada pelas amigas. Ao receber de presente o livro "Doidas e Santas", de um amigo que conhece intimamente a outra que era amante do marido e agora mulher, surpreendeu-se com a frase: "Para você que é uma Santa e foi trocada por uma Doida".