... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

domingo, 29 de maio de 2011

Questão de caráter...

"O caráter de um homem é formado pelas pessoas que escolheu para conviver." Freud 


Quando conheci Amaury percebi uma certa insegurança, mas propriamente relacionada à timidez, embora se comportasse de maneira arrogante e com os vícios preconceituosos costumeiros da classe média pequena burguesa. Havia também, uma insegurança relativa às frustrações trazidas do passado com alguns traumas, mas no contexto geral era um homem de bom caráter.

Ao conhecer Claudia, que era uma mulher bonita, encantadora, com uma vida social cheia e repletas de amigos; se interessava pelas questões sociais, estudava direito, esquerdista de carteirinha tinha princípios morais e éticos bem arraigados; assim como esbanjava felicidade e alegria de viver pelos poros.

Apaixonado pela esquerdista, causou-se com ela e transformou-se num homem extrovertido, divertido e agradável. Passou a não somente cumprimentar os subalternos, como ter compaixão por eles, virou de esquerda se interessando em política, questão social e a ter uma vida com novos princípios.

Inebriado pela beleza da jovem esposa, apesar de também ser belo, era vaidoso e cuidava da aparência, vestia-se elegantemente. Formaram um belo casal de causar inveja e admiração. 

Os anos passaram mais rápido para Amaury, enquanto Claudia permanecia jovial e encantadora, enciumado e novamente inseguro quanto aos sentimentos da esposa passou a se permitir novos interesses, relacionando com novas conquistas.

Hoje, tornou-se um homem amargo, rancoroso, sem princípios morais e éticos, sua arrogância não provém mais de timidez, afastou-se dos filhos, dos amigos e, é notório sua baixa-estima pela falta de vaidade, maneira de vestir-se, aparentando muito mais idade do que os seus cinqüenta anos. 

Relaciona-se com  Maria do Carmo, uma mulher fria, egoísta, sem vaidade,    também bastante envelhecida apesar de cinqüentenária, totalmente ausente de afeto ou compaixão pelos demais. Entretanto, foi capaz de transformar a personalidade de Amaury.

Não é à toa que o mestre da psicanálise previu a fragilidade masculina em se deixar dominar pelas mulheres. Assim, como alerta a jornalista Martha Mendonça em seu livro “Canalha Substantivo Feminino”, expondo alguns casos de mulheres canalhas e afirma: "Elas agem assim porque é a natureza delas, porque não têm empatia com o outro e buscam o próprio prazer e seus objetivos sem se importar com quem está na frente.(...) Elas atuam na vitimização, na chantagem emocional e vão pondo o homem contra os filhos, contra a família, até conseguirem o que querem".

terça-feira, 24 de maio de 2011

"Toda a nossa cumplicidade"

Desgastada por toda solidão e abandono de Roberto, entre lágrimas derramadas pela saudade, Regina abre sua pasta de lembranças daquele amor etéreo na busca ilusória de reviver momentos do passado para se manter viva. Eis que, encontra um bilhete...

"Oi amor...
Tenho achado você um pouco distante..
Mas, como você tinha hoje uma audiência, e provavelmente estava preocupada.
Que tal, um namorinho...
Falar de amor, olhar nos olhos, e deixar eu ver aquele brilho que você traz,
quando está apaixonada...
Um beijo e esperando que você se encante por mim novamente

Roberto...
Não sei quem é o autor, mas achei interessante...."



A TODA NOSSA CUMPLICIDADE

Todas as estrelas do céu
São cúmplices do nosso amor
As rosas e seus espinhos
São cúmplices do nosso amor

A sua fé
O meu café
O seu cigarro
E o meu sarro
São cúmplices do nosso amor

A minha saliva
A tua língua
A lua que cresce
E a lua que mingua
São cúmplices do nosso amor
O vôo sem asas e o tropeço no ar
As minhas palavras e a vontade de gritar
O teu sorriso e a tristeza do meu olhar
Dos dias que te vejo e quando não esqueço
As minhas noites vazias num quarto escuro
E dos nossos momentos de prazer que me faziam puro
A solidão que me engolia quando fugia para o futuro
Do meu cigarro que queima, e da bebida que mistura
Dos nossos sofrimentos, e melhores momentos
E nossos fingimentos sempre grandes instrumentos
Para as nossas verdades, e que estas perdoem
As nossas mentiras !

(autor desconhecido)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Cumplicidade em todos os sentidos...


"Muitas vezes pregada, pouco observada, a fidelidade integral é geralmente um peso para aqueles que a impõem a si próprios como uma mutilação: consolam-se com sublimações, ou com o vinho. O casamento tradicional autorizava o homem a 'algumas traições', sem reciprocidade; agora, muitas mulheres tomaram consciência de seus direitos, e das condições de sua felicidade: se nada em sua própria vida compensa a insconstância masculina, irão se ver roídas pelo ciúme e pelo tédio. Numerosos são os casais que fazem mais ou menos o mesmo pacto que Sartre e eu: manter através de afastamentos uma 'certa fidelidade'... O empreendimento tem seus riscos: pode ser que um dos parceiros prefira suas novas ligações às antigas, julgando-se o outro, então, injustamente traído; em vez de duas pessoas livres, enfrentam-se uma vítima e um carrasco... Sartre e eu havíamos sido mais ambiciosos; tínhamos desejado conhecer 'amores contingentes'; mas há uma questão da qual nos havíamos levianamente equivocado: como o terceiro se acomodaria ao nosso arranjo? Por vezes, ele se conformou sem dificuldade; nossa união deixava bastante espaço para amizades ou camaradagens amorosas, para romances fugazes. Mas, se o protagonista desejava mais estouravam conflitos."

(Simone de Beauvoir, in A Força das Coisas)

"Vagabundo no fundo do coração"



"(...) no conjunto, o casamento é hoje a sobrevivência de costumes defuntos e a situação da esposa é muito mais ingrata do que outrora, porque ela tem ainda os mesmos deveres mas não os mesmos direitos; tem as mesmas tarefas sem tirar delas recompensa nem honra. 0 homem, hoje, casa para ancorar na imanência, mas não para nela se encerrar; quer um lar mas conservando a liberdade de se evadir dele; fixa-se, mas o mais das vezes continua vagabundo no fundo do coração; não despreza a felicidade mas não faz dela um fim em si; a repetição aborrece-o; procura a novidade, o risco, resistências que lhe caiba vencer, camaradagens, amizades que o arranquem da solidão a dois." (Simone de Beauvoir, in O Segundo Sexo)

Diálogo de um relacionamento acabado...




- Vejo você distante de toda a forma demonstrativa do meu carinho em esperar por sua chegada, tentei lhe agradar da sua carência aclamada ao chegar em casa.





- Você está enganada. Adorei a minha chegada. Desde o momento da abertura da porta, quando você veio me abraçar e ver como eu estava por causa da gripe e da sua preocupação em relação à chuva e ao fato de estar na estrada. 






- Bebi praticamente sozinha o bom vinho que reservei para sua chegada, pois mesmo você estando presente sinto-me solitária.

- O vinho estava ótimo. Os acepipes estavam maravilhosos. A sua produção estava esplendida. E não estou falando por falar...

- Daí, preenchi-me com os pensamentos filosóficos sobre o amor, capazes de atenuar meu sofrimento da sua perda... Enfim, tão triste a perda de um grande amor.

- Não existe perda que não possa ser reconquistada. Mas, a reconquista vem com o tempo. Durante anos eu esperei pela sua aproximação, que teimava em não vir. Quando me dei por vencido, surge novamente a mulher tão esperada.

- Para que haja reconquista, precisamos estar abertos e deixar de lado as autodefesas, sermos honestos um com o outro, ter diálogo e trabalharmos nossas mágoas. Quando nos sentimos rejeitados a tendência é nos afastarmos mesmo. Eu me sentia sozinha. Foi um erro me afastar e esperar que você me trouxesse de volta. Deveria ter discutido e exposto minhas carências e faltas. Mas, nosso tempo era tão curto juntos que evitava brigas. Mudei de comportamento porque quero lhe reconquistar, mas isso também não está sendo compreendido por você. Do que mais você desconfia ???

- Onde foi que eu errei ????? Por que não conseguia te chamar a atenção ??? O que eu fazia de tão errado pra cada vez mais ver você tão afastada e desinteressada ?

- Você era distante, sempre inatingível. Chegava em casa muito irritado e grosseiro. Criticava-me, não havia qualquer qualidade que você visse em mim. Não sentia você sintonizado em mim... Hoje vejo como você é carente e precisa que eu sempre tome a iniciativa.

- Ainda trago uma porção de boas lembranças. Nem mesmo os espinhos e as dificuldades fizeram com que eu as esquecesse.

- Se ainda, existem boas lembranças, acho que dá para recuperar o nosso relacionamento.

- E foi por essas lembranças que durante anos eu também chorei silenciosamente a sua perda.

- Você não me perdeu, eu apenas esperava que você mudasse e fosse gentil comigo. Parceiro e compartilhasse sua vida comigo.

- Ainda existem lacunas e peças que ainda não as entendo. Fatos que pra mim ainda não foram totalmente esclarecidos mesmo você dizendo que esses fatos nunca existiram. Fatos estes, que poderiam ser uma paranóia por mim criada, mas que foram reforçados por observações feitas por pessoas que eram distantes de nossa amizade e convivência. Verdades que nunca serão esclarecidas.
Enfim, são e serão sempre meias verdades !!!!
Mas, adorei mesmo a nossa noite, mesmo estando muito cansado e com o corpo dominado por uma gripe que teima em me castigar.

- Que lacunas são essas ? Que meias verdades você quer saber ? Nunca existiu nada, nenhum caso extra com alguém. Sempre lhe respeitei e mesmo sentindo você distante jamais permiti qualquer interferência de alguém. Me acomodei, sim. Direcionei minhas insatisfações para estar com amigos e amigas, pela ideologia... Mas, sempre na esperança de ter você de novo. Mesmo, com as migalhas fui levando... Nunca tive segredos e lhe contava da minha vida. Não dê ouvidos aos outros, porque é mentira. Não há nada que eu tenha escondido de você. As pessoas também, falavam que você não estava nem aí pra mim. E, diziam - Que relacionamento é esse ? Você sempre sozinha... e etc e tal. Mas, pouco me importava e respondia na ponta da língua que tínhamos um relacionamento maduro e seguro. Confiava em você e você em mim. 

- Hoje, acho que estamos como gostaríamos de sempre estar. Você sempre gentil e carinhosa. Se permitindo mais e me entendendo. Eu, "Apenas seguirei como encantado ao lado teu "...

- Beijos

- Beijos

Mulheres Abandonadas...


Várias são as histórias de mulheres abandonadas por seus parceiros, sejam anônimas ou famosas, que se tornaram vítimas trágicas da dor e do sofrimento. Assim, como: Camille Claudel morreu louca num sanatório por causa de Rodin;

"Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta." Camille Claudel

Frida Khalo tentou o suicídio por diversas vezes em decorrência das traições de Rivera;

"Diego, houve dois grandes acidentes na minha vida: o bonde e vc. Vc sem dúvida foi o pior deles." Frida Khalo

Maria Callas caiu numa depressão profunda após o abandono por Onassis;

“Tudo o que querem saber a meu respeito está ali, na música. Callas morreu”. Maria Callas

Dentre tantas outras...

Posto que, a dura realidade feminina decorrente do abandono do parceiro com perda do amor, leva a muitas dessas mulheres ao extremo da pressão psicológica, fazendo-as perder sua própria identidade e vontade de viver.

Em sua magnânima obra, O Segundo Sexo, Simone de Beauvoir consegue traduzir o significado do sofrimento dessas mulheres:


“A mulher abandonada não é mais nada, não tem mais nada. Se lhe perguntam: "Como vivia, antes?", não se lembra sequer. Esse mundo que era seu, ela o deixou cair em cinzas para adotar uma nova pátria de que é bruscamente expulsa; renegou todos os valores em que acreditava, destruiu suas amizades; encontra-se sem teto sobre a cabeça e em derredor é o deserto. Como recomeçaria uma vida nova, se não há nada fora do amado? Refugia-se em delírios, como outrora no claustro; ou se é demasiado sensata, resta-lhe apenas morrer: muito rapidamente, (...) ou pouco a pouco; a agonia pode durar muito tempo. Quando uma mulher, durante dez ou vinte anos, se dedicou a um homem de corpo e alma, quando êle se manteve firmemente sobre o pedestal em que o ergueu, o abandono em que êle a deixa pode ser uma catástrofe fulminante. "Que poderei fazer, indagava aquela mulher de 40 anos, se Jacques não me ama mais?" Vestia-se, pintava-se com cuidado, mas seu rosto endurecido, já gasto, não podia suscitar um novo amor; poderia ela própria amar outro depois de vinte anos à sombra de um homem? Restam ainda muitos anos de vida quando se tem 40 anos. Revejo outra mulher que conservava olhos belos, traços nobres, apesar de um rosto inchado pelo sofrimento e que deixava, sem o perceber sequer, as lágrimas escorrerem-lhe pelas faces, em público, cega e surda.

(...) Se é inda moça, a mulher tem possibilidades de curar-se: um novo amor poderá curá-la. Por vezes, a este se entregará com um pouco mais de reserva, compreendendo que o que não é único não pode ser absoluto; mas muitas vezes ela se quebrará de encontro a esse novo amor, com muito mais violência ainda que da primeira vez, porque terá de resgatar também o malogro anterior.”

Até a liberdade nos causa temor quando alforriados...

"Que nada nos sujeite.
Que a liberdade seja a nossa própria substância"

Simone de Beauvoir


Durante anos, fui me acostumando com a dor e vivenciando o sofrimento da solidão a dois que me tirava o prazer. Não inclinada à submissão, fui me revoltando a cada mágoa e me distanciando a cada rancor, numa tentativa ansiosa de sobreviver me entorpecendo pelos encontros de seres semelhantes que disfarçavam sua dor e sofrimento em busca de companhia para driblar a solidão escondida à cada alma opaca.

Àquele que se dizia companheiro, me chicoteava com palavras rudes e cobranças de falsa atenção. Para amar é preciso ser livre, sem amarras ou correntes. Mas, meu algoz me torturava num êxtase de prazer cruel que só ele se satisfazia, enquanto eu vagava no vácuo da existência ávida de amor.

A solidão me obrigara caminhar no fio cortante da navalha, me fazendo sangrar a cada dia. E, assim, fui seguindo quando o próprio vampiro me empurrara do penhasco num gesto perverso me jogando a liberdade. Mas, que liberdade amarga que só me fez jorrar lágrimas de sangue num âmago vazio e faminto de emoção. 

Assim, é a dor que quando passa estamos tão acostumados à ela, que o alívio nos causa o sofrimento da falta. Mesmo, que por àqueles que durante tempos nos feriu. (Claudine Garcy)