... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Mulheres Abandonadas...


Várias são as histórias de mulheres abandonadas por seus parceiros, sejam anônimas ou famosas, que se tornaram vítimas trágicas da dor e do sofrimento. Assim, como: Camille Claudel morreu louca num sanatório por causa de Rodin;

"Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta." Camille Claudel

Frida Khalo tentou o suicídio por diversas vezes em decorrência das traições de Rivera;

"Diego, houve dois grandes acidentes na minha vida: o bonde e vc. Vc sem dúvida foi o pior deles." Frida Khalo

Maria Callas caiu numa depressão profunda após o abandono por Onassis;

“Tudo o que querem saber a meu respeito está ali, na música. Callas morreu”. Maria Callas

Dentre tantas outras...

Posto que, a dura realidade feminina decorrente do abandono do parceiro com perda do amor, leva a muitas dessas mulheres ao extremo da pressão psicológica, fazendo-as perder sua própria identidade e vontade de viver.

Em sua magnânima obra, O Segundo Sexo, Simone de Beauvoir consegue traduzir o significado do sofrimento dessas mulheres:


“A mulher abandonada não é mais nada, não tem mais nada. Se lhe perguntam: "Como vivia, antes?", não se lembra sequer. Esse mundo que era seu, ela o deixou cair em cinzas para adotar uma nova pátria de que é bruscamente expulsa; renegou todos os valores em que acreditava, destruiu suas amizades; encontra-se sem teto sobre a cabeça e em derredor é o deserto. Como recomeçaria uma vida nova, se não há nada fora do amado? Refugia-se em delírios, como outrora no claustro; ou se é demasiado sensata, resta-lhe apenas morrer: muito rapidamente, (...) ou pouco a pouco; a agonia pode durar muito tempo. Quando uma mulher, durante dez ou vinte anos, se dedicou a um homem de corpo e alma, quando êle se manteve firmemente sobre o pedestal em que o ergueu, o abandono em que êle a deixa pode ser uma catástrofe fulminante. "Que poderei fazer, indagava aquela mulher de 40 anos, se Jacques não me ama mais?" Vestia-se, pintava-se com cuidado, mas seu rosto endurecido, já gasto, não podia suscitar um novo amor; poderia ela própria amar outro depois de vinte anos à sombra de um homem? Restam ainda muitos anos de vida quando se tem 40 anos. Revejo outra mulher que conservava olhos belos, traços nobres, apesar de um rosto inchado pelo sofrimento e que deixava, sem o perceber sequer, as lágrimas escorrerem-lhe pelas faces, em público, cega e surda.

(...) Se é inda moça, a mulher tem possibilidades de curar-se: um novo amor poderá curá-la. Por vezes, a este se entregará com um pouco mais de reserva, compreendendo que o que não é único não pode ser absoluto; mas muitas vezes ela se quebrará de encontro a esse novo amor, com muito mais violência ainda que da primeira vez, porque terá de resgatar também o malogro anterior.”