... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Aquele sofrimento se curava com as dores...

"Existe apenas um único problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida significa responder à questão fundamental da filosofia" Albert Camus in O Mito de Sísifo



Aquela angústia estava novamente lá, me sentia impotente diante dela, culpada quando a preenchia em lapsos de falsa alegria. A compulsão literária me disfarçava o fracasso que entre páginas e mais páginas, livros e mais livros, a procura desenfreada de uma explicação para o tormento da alma.

Quanto mais me aproximava da razão, mais caía em tristeza. Talvez, não haja cura para essa ferida que ardia o peito com fisgadas profundas. Mesmo assim, eu ia adiante para buscar um possível conforto ou até, uma ilusão alcalina para apagar o ácido corrosivo da dor

Abri a porta, mas o olhar de Elton se dissipou evitando-me o encontro da imagem. Ele entrou como se eu não existisse, ou nunca, tenha existido. No passar dos minutos vem o olhar de encontro ao meu. Mas, era um olhar fitado de ódio, suas pupilas dilatavam de ira transbordando o desejo avesso da minha imagem. 

Aquilo era como um golpe de punhal afiado que esquartejava minha alma. Sua presença nauseante fazia-me sofrer o resto de sofrimento que eu nem sabia que ainda tinha. Não esgota-se a dor com novos sofrimentos. E, ela permanece ali, pungente e ardente, pronta para torturar-me até o limite infindável.

Pensei, como não sou livre para voluntariamente por fim no sofrimento, aquele desejo de finitude não me deixava em paz. Não restava mais nada a fazer contra a angústia da frustração. Não dei certo, não faço falta alguma ao mundo, não preencho sentimentos aos demais, não quero mais existir... A pedra levada ao cume de um peso insuportável, como uma metáfora do esforço incessante de superar as perdas, nunca ficava lá. Ela rolava novamente ladeira abaixo para que eu novamente exausta a levasse ao topo.

Agora, já não tenho mais forças e mesmo em sonho, ela rola desenfreadamente sem que eu consiga alcançá-la. E, vejo como é inútil lutar contra esse destino imposto sem consulta aos meus sentimentos.