... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

As vezes, num caminho sem destino nos deparamos com supresas inesperadas...


"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento." 
Clarice Lispector



Caminhando aleatoriamente, numa tentativa de distrair a solidão, deparo-me com aquele olhar penetrante. Abrimos um largo sorriso preenchendo as saudades dos encontros de outrora, os braços se abrem para um abraço apertado. Posso sentir o perfume cítrico amadeirado com um frescor intenso, como de um mergulho no âmago. A satisfação da surpresa é correspondida de imediato, através do brilho dos olhos negros de Yuri.

Um ano, havia se passado desde o nosso primeiro encontro no mesmo lugar. Ele permanecia com a mesma aparência primaveril de um encantamento sutil e abrangente, apesar da idade. Eram tantos assuntos esperando pelo compartilhamento das idéias que precisamos de horas que não foram suficientes, deixando uma brecha para outros encontros.

Sedutor e elegante nos elogios, meu ego subiu às alturas como de uma adolescente carente, e vinha aquela sensação de completa plenitude. Em sua generosidade inesgotável, mesmo ciente da nossa divergente posição moral, não é o suficiente para afastar a força de nossa afinidade. 

Trocamos confidências catárticas das nossas dificuldades vividas, das frustrações, das dores da alma e ainda, dos nossos relacionamentos fracassados. Mas, também, falamos dos planos almejados, com troca de aconselhamentos.

De uma sensibilidade pontual, revelou-me que habito seus momentos oníricos, aonde permaneço presente em seu inconsciente durante esse tempo, desde que nos conhecemos. Sublimando assim, a minha ausência física. Acho que não há paixão, mas amor na maneira mais genuína como forma de amizade.

Por mais que as pessoas, se aproximassem nos cumprimentos, Yuri não desviava o olhar sequer de mim. É como se eu estivesse sendo velada por admiração. Vez enquando, aproximava dando-me as mãos, num gesto de carinho com um sorriso terno. E, portanto a noite transcorreu num instante... Na despedida, outro abraço apertado prolongado, com promessa de mais assuntos para outra vez.