... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

A Liberdade não é plena quando se depara com o ciúme...


“Ela tinha a beleza tranquila da maturidade.
 
Alguns fios de cabelo branco davam ao seu rosto um encanto especial.
 
De hábitos domésticos e simples, um de seus prazeres era assentar-se numa poltrona e entrar na bolha que a leitura cria.
 
Quem lê está num outro mundo, muito distante.
 
O marido a observava de longe. Olhos que observam são aqueles que olham quando o outro não está olhando. Seu olhar era o de apaixonado que desconfia, olhar de ciúme. Os olhos do ciumento vigiam.
 
Vigiam gestos, movimentos, horas, sorrisos.
 
Vigiam porque as modulações silenciosas e distraídas da pessoa amada podem conter revelações sobre aquilo que ela esta pensando.
 
O ciumento suspeita que o ser amado lhe esconda alguma coisa.
 
Olha na esperança de ver algo escondido, de entrar dentro do segredo do outro. O ciumento detesta os pensamentos.
 
Por mais que os vigie, eles estão além de sua vigilância.
 
Ele queria adivinhar seus pensamentos.
 
E a sua vigilância se exacerbava quando ela sorria ou ria.
 
Como explicar este sorriso se ele, o marido, não estava dentro do livro ?
 
Ela não precisava dele pra ser feliz.
 
Porque ali, mergulhada no livro, o marido não existia…”
 
“O ciúme nasce quando se toma consciência de que a pessoa amada é livre. Ela é um pássaro pousado no ombro.
 
Nada o prende. Pode voar quando quiser.” 
(O ciúme, uma intrigante explanação de Rubem Alves)

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O controle dos meus pensamentos, dos meus gostos, da minha opinião, das minhas relações sociais e até do meu trabalho me incomodava, mas eu não conseguia lidar com essa imperiosa censura e na maioria das vezes contestava. Porém, me ressentia por não conseguir entender e, também não queria controlá-lo. 

Pensava que o ciúme afasta e nos faz cometer injustiça com quem amamos. Na verdade, nunca me senti a vontade com essa maneira controversa de demonstrar sentimentos. Afinal, não precisava dessas provas para me sentir amada. E, tampouco acredito na veracidade das mesmas. Amar requer confiança e liberdade.

Quantos foram os momentos perdidos pela insana manifestação da posse. Nos eventos sociais por atrair outros olhares, das amizades proibidas por gerar desconfiança e da obrigação dos relatórios pelas horas distantes dispensadas ao trabalho ou aos encontros com amigas. Era como se eu fosse um terreno minado à beira de uma invasão.  

Por mais que os grilhões pesassem eu não conseguia me libertar, pois o amava demais e era necessário compreender sua insegurança por mais absurda que parecesse. Sem imaginar que os desconfiados não são confiáveis para amar. 

Lembro-me das consequências pela  ida ao banheiro, depois de dançar na pista da boate ou me levantar da mesa de bar, por uma abordagem insignificante, em que sua agressividade se aflorava com brigas; das ligações que não atendi porque não as escutei ou porque estava ocupada demais naquele instante; dos livros que devorava sob as reclamações de atenção ou dos chistes grotescos pela leitura que me interessava; dos momentos de individualidade protestados que os preferia ao invés de sexo e de tantos outros que me faziam cada vez mais me afastar por mágoa.

Sua insegurança ultrapassou os limites permitidos da relação nos afastando a ponto dele saciar sua sede em outras fontes. Então, senti o gosto amargo da sua vingança e me invadi de ciúmes por ser preterida.