... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Da solidão a solitude...

"Somos uma sociedade de pessoas com notória infelicidade: solidão, ansiedade, depressão, destruição, dependência; pessoas que ficam felizes quando matam o tempo que foi tão difícil conquistar." Erich Fromm

 

Saímos daquela sessão de cinema caladas e pensativas, o filme era tenso, mas reflexivo sobre os desencontros nos relacionamentos amorosos. Escolhemos um bar próximo para finalizar o nosso programa de sexta-feira e sentamos na única mesa disponível para quatro lugares. Percebi a emoção estampada em seus rostos, após o filme. Éramos quatro mulheres que vivíamos a solidão de relacionamentos desfeitos.

Conversamos e debatemos sobre nossa situação e parecia que apenas eu não me importava com a vacância de viver sem um relacionamento. Pois, a necessidade do trio em encontrar seus pares era premente e questionavam minha falta de interesse, afinal de todas eu estava um bom período sozinha. 

Eu havia me acostumado com as circunstâncias de viver sozinha com as vantagens e desvantagens da solidão. Era confortante a disponibilidade de dedicação à literatura e aos estudos nas noites tranquilas e depois dormir na cama extensa, não ter compromisso adiados pela disputa de atenção,  não dar satisfações pelos atrasos ou explicar as ligações dos amigos masculinos. Porém, também havia o desamparo nos momentos difíceis da doença, da solitude, das decisões, da falta de ajuda em uma emergência e até da carência.    

Por fim, vieram as combinações de programas para preencher o vazio do final de semana com saídas a procura de alguém em bares ou em lugares movimentados. Então, estupefatas escutaram minha recusa porque pretendia dedicar meu sábado e domingo à faxina da casa, às leituras inacabadas e ao descanso com meu vazio. 

Em contestação, uma das amigas exclama que na verdade não consegui ainda esquecer meu ex-marido, por isso não dou oportunidade para novos relacionamentos. Na despedida, respondo que talvez, mas estou aprendendo a me adaptar a saudade. Procuro apenas, armazenar as boas lembranças e já não sofro tanto. Pois, amar também é desapegar.