... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

domingo, 15 de maio de 2011

Depressão... A dor da Alma...

A depressão é tão profunda que não suporto mais tanto sofrimento. É uma dor lancinante na alma que não pára. Contraditória em todos os momentos, pois da mesma forma que a somatização de sintomas como náuseas e vômitos, dor no peito e o mal estar súbito causa um temor terrível da morte, o cansaço é infinito que desejamos morrer logo, é a perda de vontade da vida. Mas, vem a culpa dos compromissos afetivos e logo, penso nos demais, principalmente na família, me abatendo naquele remorso que faz doer ainda mais a alma.

A dor da alma !


Depressão é uma doença ingrata que aponta julgamentos e condenações alheias, das quais não queremos saber e tampouco suportamos ouvir. Assim, me aprisiono cada vez mais fundo em uma concha fechada caindo no profundo ostracismo. Talvez, seja a necessidade de retorno ao útero materno diante das frustrações e fracassos não trabalhados ou insuperáveis no momento.

O desequilíbrio é constante, não há mais qualquer pensamento tênue e muito menos concentração aos afazeres comuns, sem vontade de até se alimentar ou dos cuidados com a higiene. O pranto parece nunca secar e cada situação externa das obrigações e responsabilidades é realizada num esforço além das forças vitais. É uma doença, mas da alma e, por isso tão incompreensível aos outros. Só quem passa por depressão tem uma mera idéia, já que cada dor é única a cada ser humano.

A solidão é tão profunda que a carência e auto-piedade transborda às pessoas próximas e  é capaz de afastá-las. Assim, me torno enfadonha, negativa e repulsiva aos outros. Como se a minha doença fosse altamente contagiosa, mas é, e também nociva aos sãos, pois os rouba energia. Sou uma verdadeira vampira de energia.

E, aquela mulher alegre, bem disposta, caridosa, solidárias às dores do mundo se apaga, restando uma mulher mal-amada e amarga. Há quanto não dou uma boa gargalhada lá do fundo da alma que esbanja felicidade e irradia energia da mais positiva luz. Já não me pertence o ânimo e o positivismo de dar certo, o brilho dos meus olhos que ofuscava qualquer escuridão tornou-se opaco, não tenho mais o perfume da sensualidade que me destacava da multidão. É como se a chama da minha luz estivesse bem no fim, precisando de oxigênio urgentemente para voltar a brilhar. Só que não tenho mais forças e meu pranto quanto mais se esvazia, mais aumenta o vazio insuportável capaz de me arruinar sem dó nem piedade a minha existência. Mas, que existência ? Se nem mesmo sei quem sou, apenas vivendo uma ilusão inventada das lembranças pretéritas que perdi.

Não quero ouvir conselhos ou receitas, reaja ! Reagir o quê ? É a torturante ausência que não tem fim, somente a presença trar-me-á lampejos de fôlego, àquele sopro básico para acalmar minha dor. Mas, como trazer de volta a presença se provoco mal estar e repulsa com minhas lamúrias ?

Portanto, é incompreensível a dor única e pessoal, a alma despedaçada e o sofrimento amordaçado de coração amputado.