... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A difícil convivência com o Perverso...


"o perverso é aquele que se consagra a tapar o buraco no Outro" (Lacan)


 "... o desejo perverso não é uma pergunta, mas uma resposta, pois o perverso sabe o que quer e isso deve ser a base da arrogância perversa, que o faz convencido de saber a verdade escondida." (Miller)


Arrogante, vaidoso, narcisista, sempre dono de si, não media as palavras ao magoar as pessoas. Principalmente o gênero feminino, como um autêntico misógino, eram críticas sobre a aparência, os cabelos se estavam secos, sobre o peso, a idade e etc. Por vezes, me sentia em uma saia justa diante de uma situação deselegante em algum evento social. Ele sempre tinha razão, sabia tudo e discutia de todos os assuntos abordados no meio. Mas, também, sabia ser simpático e sedutor, o que fazia com que as pessoas não guardassem suas mágoas.

Não somente, suas críticas ácidas eram dirigidas à terceiros, por muitas vezes fui escolhida perante os amigos para ser a vítima de tais críticas. O ciúme era proferido com atitudes grosseiras. Suas vontades estavam sempre em primeiro lugar, a não ser quando existia um interesse velado que o fazia tornar-se gentil.

Não existia a menor possibilidade de discutir a relação, quando me sentia insatisfeita, eis que ele sempre tinha argumentos respaldados em subterfúgios imediatos. Levando a cair por terra qualquer manifestação de opinião. Com o passar do tempo passei a evitar qualquer tipo de conversa séria que fosse relativa à nossa relação, me calando e evitando conflitos.

Estava diante de um marido perverso e, como tal, estava ciente da sua personalidade, mas jogava todo o peso de seus defeitos nas minhas costas. Ele sempre tinha razão, e quando era pego numa mentira invertia o jogo e muitas vezes me manipulava se fazendo de vítima.

Na verdade, me anulando e me calando para evitar conflito permaneci numa zona de conforto e, acabei exercendo o lugar masoquista patológico dessa relação sado-masoquista. Mas, no momento em que passei a me impor e rebater as acusações infundadas, me tornando autora da minha vontade, passei a não ser mais útil ao desejo do sádico.  

Assim, um dia porém, do nada, ele decidiu ir embora. Mas, saiu exercendo toda a bagagem de crueldade perversa  me acusando de todos os erros, defeitos, acusações de infidelidade e egoísmo. (Claudine Garcy)