... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A força do Amor...

Quem não acredita que o amor é o mais eficaz dos remédios ou terapia está correndo riscos.

Clara nem tinha completado seus quarenta anos de vida e estava diante de uma maratona de consultórios, percorria mastologistas e oncologistas na busca da salvação. Além, do sofrimento dos exames, os mesmos revelavam péssimos diagnósticos e as opiniões não se divergiam. Logo, era preciso extirpar urgentemente o tumor.

Em sua mente de mulher vaidosa, Clara, já vislumbrava a perda dos longos cabelos que compunham sua beleza e o pior de tudo, a amputação do seio que alimentava sua sensualidade e despertava desejo em seu amado. Por enquanto, não pensava na morte. Apenas, na falta que seria a mutilação para André.

De repente, talvez pelo estágio normativo da negação, ainda não lhe havia sucedido a visão fatídica de seu velório. Entretanto, como não podia se fazer de avestruz por muito tempo, necessitava levantar a cabeça e não se esconder do sério problema maior que era a possibilidade de finitude.

Pensou na dor de André. Ainda, foi mais longe, pois não era justo que seu companheiro certo de ter optado por uma mulher jovem, fosse condenado a compartilhar do doloroso tratamento de câncer, como nomeado enfermeiro do definhamento de Clara até enterrá-la.

Era uma previsão muito dura para o amado André, cujo sofrimento lhe fosse imposto sem ao menos ter chance de escolha. E, se ele não tivesse forças para suportar ? Provavelmente seria julgado e apedrejado por todos.

Cirurgia marcada, Clara convida André às vésperas, num ato de amor e despedida, para um bar em que lhe daria a oportunidade de deixá-la o quanto antes do final. Assim, evitaria o sofrimento duplo. Mas, a recusa foi categórica, demonstrando André de pronto todo amor, carinho e afeto daquela relação perfeita.

Diante de tanto amor e dedicação do companheiro, a cirurgia de Clara foi um sucesso milagroso, assim como outras que estavam por vir, não a deixando perder seu seio, muito menos as madeixas e a revigorando para vida.

Assim, a força do amor salvou aquela mulher !




“Em última análise, precisamos amar para não adoecer.” Freud