... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

domingo, 22 de maio de 2011

Os dramas da Sexualidade negada...


Era comum, Adolfo fechar-se no escritório e percorrer as páginas pornográficas na fantasia cibernética de seu computador. Existia sempre uma mudança de página eletrônica com a chegada inoportuna de Marta ao chamá-lo à mesa para as refeições, ou qualquer outro motivo que a fizesse interrompê-lo.

Sua fantasia obsessiva pelas salas-de-pate-papo dos fetichistas chegava ao extremo de ultrapassar a tela do computador  a procura secreta de encontros furtivos, sendo seus devaneios eróticos alimentados pela possibilidade do real.

Por diversas vezes, sua compulsão sexual entediada naturalmente pela recusa de Marta em fazer parte daqueles ensaios pervertidos, facilitou-o na concretização de suas fantasias sadomasoquistas, exibicionistas, inversões e tantas outras nas relações extraconjugais.

Com a negativa da esposa em satisfazer Adolfo na alcova, as grosserias se iniciavam perdurando em críticas ácidas e assim, o distanciamento era evidente. Pois, Marta apenas queria romance e suas súplicas eram tão simples como um passeio à beira-mar contemplativo ao pôr do sol, viagem à sós com o marido ou namoro apesar do largo tempo de casamento.

Ademais, com o passar dos muitos anos e o envelhecimento notório diante dos cabelos brancos, Adolfo sentia-se inseguro e temeroso com uma futura baixa da virilidade, da qual Marta já vivenciara com a sua entrada no climatério.

Enquanto, aquela mulher sonhava com carinho, afeto, amor e um relacionamento sexual comum porque ainda, apesar dos pesares, desejava e amava seu parceiro. Do outro lado, Adolfo sequer se interessava em agradar Marta ou satisfazer sua vontade. Pois, já não a amava, nem mesmo nutria qualquer encantamento afetivo por ela, apenas a utilizando como escape da sua patologia atormentada.

Talvez, no pretérito daquele homem houvesse "um esqueleto escondido em seu armário do inconsciente", donde segredos irreveláveis ou, mesmo na infância um suposto abuso, causara-lhe a perversão.
(Claudine Garcy)



"(...) o que deve ser, de fato, considerado perversão é o desejo de fazer mal ao objeto, humilhá-lo, degradá-lo. Humilhando, o perverso se vinga da humilhação a que foi submetido. A perversão é uma neurose erótica; uma forma erótica do ódio. O fantasma que sustenta o ato perverso é o de vingança que transforma o traumatismo (da criança) no triunfo do adulto." (Adelson Bruno dos Reis Santos e Paulo Roberto Ceccarelli, em PERVERSÃO SEXUAL, ÉTICA E CLÍNICA PSICANALÍTICA)